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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

sábado é celebração do livramento!

Os mandamentos de Deus ao povo de Israel têm sido mal interpretados por muitos Cristãos por muito tempo. Marcião não via nele algo positivo, nem Lutero, que ao ler Tiago considerou um documento não condizente com os que eles entendiam da graça ou salvação divina. Mas será que eles leram Exôdo 20 em sua beleza literária?

Tiago estava certo, as palavras do Senhor em Êxodo 20 são de livramento. Creio que o irmão de Jesus entendeu bem o texto da Lei da Liberdade, como ele a chama. Sugiro que a razão que Lutero, Marcião e outros Cristãos não compreenderam os mandamentos divinos é que eles não entenderam o coração dessa lei, o sábado. O tema recorrente na lei é o trabalho e o descanso. Reflita comigo como a filosofia ou ética de trabalho divino soa como uma promessa aos Israelitas escravos moldando as 10 palavras divinas.

O texto começa, "e falou Deus todas essas palavras a eles dizendo: Eu sou o SENHOR teu Deus que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão (עבד)..." Para ex-escravos que haviam sofrido nas mãos de um líder tirano, não  precisar mais se submeter aos serviços/trabalhos/obras do sistema Egípcio era boas-novas (evangelho). Com esse contexto de escravidão em mente reflita comigo como cada mandamento se torna uma bela promessa de Deus aos seus filhos.

(1) "Não terá outros deuses diante de Mim"
Os deuses representado pelo faraó estavam acabando com as vidas dos Israelitas, não tê-los mais era uma liberdade. O texto em Hebraico pode muito bem ser traduzido dessa forma, "Não haverá outros deuses além de mim." Isso é mais que um mandamento é uma afirmação que a liberdade deles estava garantida. Não mais voltariam ao Egito e faraó para servir/trabalhar para seus deuses.

(2) "Não farás para ti imagens...e não as servirás (עבד)"
Perceba que a mesma palavra em Hebraico (עבד- trabalho, obra, serviço) descreve a situação de escravidão dos Israelitas no Egito. É possível que parte das obras que os Israelitas estavam fazendo obrigados pelo faraó involvia o culto dos deuses Egípcios, para os ex-escravos Israelitas não fazê-los mais era um alívio. Principalmente porque o Deus que "faz misericórdia", os "visitou" quando no Egito.

(3) "Não carregarás  em vão..."
A maioria das traduzões usam o verbo (נשא) com o sentido de tomar. Mas o que é tomar o nome? Esse verbo tem a conotação de erguer, carregar, como em Êxo 14:10 - "Os Israelitas levantaram seus olhos". Enquanto no Egito, de acordo com o cap.1, eles estavam carregando tijolo e palha em vão, sem benefícios para seus familiares, o Deus que eles agora servem não ordena algo que não lhes traga benefício. Pelo contrário, os que possuem um estilo de vida vão ou mentiroso (e.g.Êxo 23:1 - שוא) são considerados impuros pelo Deus de Israel.

(4) "Lembra-te do dia de Sábado para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todas as SUAS obras (עבד)..."
A ordem divina aqui é um manifesto à liberdade. É a mais clara expressão da ética do Deus de Israel. Não mais os Israelitas deveriam fazer obras em vão, para outros. Dos 7 dias da semana Deus deu 6 deles para que pudessem realizar os próprios sonhos. Perceba como a linguagem do mandamentoo deixa isso claro, "farás todas as suas obras". O trabalho era DELES. Não mais carregar tijolos no sol, o dia inteiro para construir palácios de iniquidade para os inimigos de Deus. E o que é mais bonito nesse manifesto é o que segue.

"E o sétimo dia é o Sábado do SENHOR teu Deus".
Que Deus é esse? O que tinha recentemente os livrado "da casa da servidão." (v.1) O dia desse Deus deve ser algo muito bom. O próprio nome já indica isso. Possivelmente a palavra sábado significa descanso. Não é à toa que todo ano sabático (sétimo) a natureza descansava e os seres humanos também (Lev. 25:4). E a cada 7 ciclo de 7 anos todo tipo de dívida era perdoada, era o Sábado dos Sábados (perdão de dívidas financeiras, os escravos eram libertos, a terra voltava ao seu dono - Lev 25). Para os Israelitas, como ex-escravos, essa ordem divina deve ter soado ainda mais impressionante.
"Nele (no sábado) não farás nenhum trabalho ( לֹא־תַעֲשֶׂ֣֙ה כָל־מְלָאכָ֡֜ה)"
Se nos 6 dias da semana eles estavam livres para fazer as obras dos seus sonhos, no dia do seu DEUS (mestre) eles deveriam descansar. Que notícia boa. É como se alguém oferecesse um emprego onde 86% do seu serviço o empregador pode fazer coisas que precisa para sobreviver e para seu prazer (para próprio benefício) e nos 14% de obrigação com o patrão o empregador deveria descansar. Bom demais?! Para que os Israelitas não interpretassem mal esse conceito, Deus deixa bem claro que em Seu reino isso aplicava a todos os Seus servos.

"nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo (עבד), nem tua serva, nem nenhum animal e forasteiro que habita com vocês"
Ninguém, absolutamente, nenhum ser vivo criado por Deus deveria ser forçado a trabalho para o benefício de outro. Essa é a filosofia do Egito que o Deus de Israel é contra, escravidão.Por que?

"Pois em 6 dias o SENHOR fez...tudo...e descansou."
Esse é o Deus que visitou os Israelitas na "casa da servidão/escravidão" do Egito. É o "Deus que faz misericórdia". A referência a criação em Gên 1 mostra que o trabalho de Deus é criativos, prazeroso, frutífero, que beneficiam não só ao que faz mas todos ao seu redor. Nos 6 dias da criação Deus fez tudo que a humanidade precisava e descansou como exemplo de sua ética de trabalho. Os Israelitas deveriam fazer o mesmo, trabalhar 6 dias providenciando o bem dos outros e no sétimo dia deveriam descansar. Serviço que não beneficia a criação à luz dessa ética de trabalho é "vão". E carregar (fazer) coisas em vão é proibido no reino de Deus (mandamento 3), por isso os próximos 6 esclarecimentos no decálogo. Seria isso semelhante aos 6 dias de trabalho semanal dado ao homem?

"Honre os seus criadores (progenitores), Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não engane nem deseje do seu companheiro o que não é seu,nem a casa, a esposa, a serva, servo, o animal..." Perceba a semelhança do último mandamento com o quarto.

Comunicação divina: As palavras de Deus em Êxodo 20 não são meras ordens sem propósito. Especificamente a regulamentação do descando no sétimo dia ensina uma ética de trabalho e vida onde a liberdade e o bem do próximo são prioritários.  As leis divinas não permitem exploração, seja no trabalho (baixos salários, falta de segurança), em casa (abuso conjugal e com os filhos), na igreja (abuso clerical, pedofilia) ou em qualquer esfera da vida. Para os que vive(ra)m num regime de opressão, tais palavras são mais que ordens, são promessas de um nova vida.

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