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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Será que Antioco Epífanes IV aparece em Dan 11?


Preteristas e futuristas enxergam esse déspota Greco-Seleucida, Antíoco Epífanes IV como o inimigo central das profecias de Daniel. E em Dan 11 isso não seria diferente, eles enxergam Antíoco IV do v.13 em diante. Historicistas no entanto estão divididos quanto a interpretação dos v.13-20 e alguns nem acham que Antíoco está na profecia.

William Shea vê Antíoco IV no v.14 e 15 até sua destruição pelos Romanos no v.16. Urias Smith no entanto acha que o poder descrito nos v.13-15 é do seu antecessor Antíoco o Grande III. Roy Gane tem um posição semelhante porém ele acha que Roma deve ser inserida apenas no contexto do v.21. Assim para ele Antíoco III é o poder descrito dos v.11-19.

Todos concordam que Roma definitivamente é o poder do v.21 sendo o v.22 já no tempo de Jesus (I séc AD). Eles também concordam que o v.13 refere-se as atividades de Antíoco III. Assim os v.14-22 possuem interpretações diversas no meio Adventista. Enquanto Shea e Smith inserem Roma entre os v.15 e 16, Gane vê a transição dos poderes Helênicos para os Romanos apenas nos v.21-22.

Interpretar profecias, ou identificar com precisão eventos históricos com textos bíblicos é uma tarefa árdua. Requer bastante conhecimento da história e preferencialmente do texto bíblico nas línguas originais. Quanto a esse texto (Dan 11) a maioria dos intérpretes acham que as descrições dos reinos do norte e do sul devem ser lidas no contexto do Povo de Deus (Israel). Como eles interpretam profecia à luz da história é que deve ser melhor averiguada. E mais atenção deve ser dada ao texto de Dan 11.

sábado, 12 de outubro de 2013

Quando Roma surge no cenário de Dan 11? (11:14-22)



No texto anterior expliquei uma das formas de tentar entender cronologicamente Dan 11. Nesse texto explico um pouco mais sobre as razões textuais para indentificar o poder Romano nessa profecia. Como já visto devemos comparar Dan 11 com profecias de sequência histórica anteriores, como Dan 2, 7 e 8-9.  Em Dan 11:4 temos os Persas (8:20) seguidos pelos Gregos (11:3; 8:21) que são dividido pelos quatro ventos do céu (11:4; 8:22).

O padrão de reinos continua em todas as visões. Em Dan 8 após a divisão da Grécia entre os quatro ventos surge o chifre que começa pequeno e domina até os céus. Ele é o centro da visão até o fim. Em Dan 11 após os quatro ventos surge os reinos do norte e do sul guerreando entre si. Na história os quatro reinos após Alexandre duraram por pouco tempo e apenas dois deles permaneceram até o surgimento do império Romano. Eram os Seleucidas e os Ptolomeus.

Deve-se prestar atenção que o título "reino do norte" desaparece em Dan 11:16 e volta apenas no final (v.40). De Dan  11:16 apenas o rei do sul é mencionado contra um “novo” poder introduzido no mesmo verso que provavelmente é o reino do norte desde o v.15. Esse reino conquistará a “terra prazerosa” (algumas versões “gloriosa”) que é mencionada em Dan 8:9. No Antigo Testamento essa terra é principalmente a Palestina (Canaã). E o mesmo fará guerra contra o príncipe da Aliança profetizado por Dan 9.

Após os Gregos surgiram os Romanos que conquistaram a Palestina, mataram a Jesus e deram origem ao poder perseguidor que dura até o tempo do fim, em sua forma pagã e religiosa. Portanto, baseado nesses paralelismos, acho que Roma é introduzido no verso 15 como o reino do norte. Esse poder é o centro das atenções até o final quando ressurge o reino do sul antes de Miguel terminar a visão com a ressurreição dos justos (Dan 12).

E provavelmente as fases pagã e religiosa de Roma são distintas como em Dan 8. A divisão mais coerente é introduzir a segunda fase de Roma de Dan 11:31 visto que a profecia refere-se a profanação do santuário, a tomada do diário e o estabelecimento da abominação desoladora como em Dan 8:11,12. Ou seja, desde Dan 2 passando por 7, 8-9 a última visão sobre os poderes inimigos de Deus foca mais sua atenção no último poder que mais afeta(rá) a obra de salvação divina, Roma, que não terá sucessor até o reino dos céus.

Comunicação Divina: Assim como Deus começa com um panorama geral da história mas depois foca no mais importante, devemos também priorizar o reino que mais afetará nossa vida, o reino dos céus (Mat 6:33).

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Como estabelecer uma cronologia de Dan 11?


Daniel 11 não é um capítulo fácil de ser entendido. No entanto, como profecia ela foi escrita com o intuito de revelar o desenvolver da história da salvação. De acordo com a interpretação profética historicista textos claros devem iluminar passagens não tão claras. Neste caso, para entendermos Daniel 11 devemos compará-lo com profecias anteriores no próprio livro.

Por esse método comparativo pode-se  notar que todas as profecias apocalípticas (Dan 2,7,8-9,11-12) possuem um esquema semelhante. Através de paralelos textuais claros o leitor atencioso percebe pontos de referência ou pontos de transição histórica em Dan 11 à luz de clara explicação em profecias anteriores. Por exemplo:

11:2 – Pérsia (Dan 8:20)
11:2 – Grécia (Dan 8:21)
11:3 – poderoso rei da Grécia (8:21 – Alexandre)
11:4 – espalhados para os 4 ventos do céu (8:22 –império de Alexandre dividido em 4 seções)
11:16 – bela terra conquistada (bela  = Heb. tzebi  8:9 – império após Grécia [Roma] conquista Palestina)
11:22 – Príncipe da Aliança será destruído (9:25 – Romanos “cortam” o Messias Príncipe)
11:30 – Santa Aliança (9:27 – Jesus confirma aliança com verdadeiro Israel)
11:31 – profanação do Santuário, remoção do ‘diário’ e instituição da abominação desoladora (8:11,12; 9:26,27 – desde o tempo de Jesus os Romanos atacam o sistema de culto divino com abominações)

Vendo os paralelos acima podemos demarcar pontos históricos em Dan 11. A sequência de reinos é a mesma de visões anteriores: Medo-Pérsia, Grécia, Roma até o fim (11:35,40,45). A cronologia e o cumprimento histórico contínuo (do tempo do profeta até o estabelecimento do reino de Deus) ainda prevalece em Dan 11. O paralelismo delineado acima ajuda o intérprete a demarcar claramente Dan 11 na história. Tais demarcações são explicadas pelo próprio livro (anjos).

A partir do esquema acima podemos explicar Dan 11 da seguinte forma: v.1-2 = Medo-Pérsia, v.3-15 = Grécia, v.16-22 = Roma até o tempo de Jesus Cristo, v.31-12:1= Roma papal até o fim (cf.12:11). Tal esquema deve ser no entanto refinado, principalmente os v.16-30, onde as descrições são semelhantes aos do chifre “pequeno” de Dan 7 e 8. O que essas descrições sugerem é que apesar das fases (pagã e papal) o poder Romano continua o mesmo como em Dan 8 (o chifre “pequeno” é tanto Roma pagã como papal) e Dan 7 (chifre “pequeno” surge da besta Romana).

O intérprete de profecias apocalípticas deve sempre ter em mente que textos apocalípticos estão interessados em descrever “história sagrada” à luz do povo de Deus. Assim o foco será eventos marcantes na história da redenção e não detalhes exaustivos. Isso permite certo intervalo de tempo ou generalizações cronológicas mas nunca grandes intervalos de tempo entre um poder e outro (como no futurismo). Ao interpretar profecias apocalípticas deve-se procurar atentatemente por padrões ou coerência contextual.

Comunicação divina: Deus é coerente não somente em Suas revelações mas em Sua obra de salvação explicadas nessas profecias.