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sábado, 8 de setembro de 2012

quem é o chifre pequeno - parte 1


      5)     O cifre “pequeno” origina de um dos 4 chifres ou de um dos 4 ventos? E qual a diferença?(Dan 8:8-9)

Já vimos brevemente que existem interpretações diferentes sobre profecias apocalípticas. Em particular, essa questão em Daniel 8 traz à tona a diferença entre preterismo e historicismo. Enquanto o historicismo interpreta o quarto reino de Dan 7 como o Império Romano em suas duas fases (pagã e papal), o preterismo vê o poder representado pelo chifre que começa pequeno e persegue o povo de Deus como Antíoco IV Epifânio. Um dos maiores argumentos para tal diferença é Dan 8:8,9 sobre a origem do chifre pequeno.

É importante salientar aqui que até as traduções revelam tendências interpretativas sobre a profecia de Daniel. A de João Ferreira de Almeida Revista Atualizada (ARA) traduz o verso 9 da seguinte forma: “de um dos chifres saiu o chifre pequeno”. A João Ferreira de Almeida Atualizada e a Nova Versão Internacional diferentemente traduzem: “de um deles saiu um chifre pequeno”. Outra tradução, O Livro, já diz: “um destes chifres, crescendo devagar a princípio...”

Note que as traduções O Livro e a ARA são interpretações do texto hebraico, pois o v.9 diz apenas “de um deles”, o que as traduções Atualizada (AA) e a NVI mantêm. Mesmo assim, mantendo uma tradução mais literalística do texto hebraico, a questão continua. O que significa “de um deles”? De onde vem o chifre que ataca o céu, Deus e o santuário? Determinar tal poder é importante visto que suas atividades afetam o povo de Deus. Então qual interpretação possui mais evidências textuais e históricas?

Antes de avaliarmos as diferenças interpretativas destaco que tanto o historicismo como o preterismo interpretam Dan 8 num contínuo histórico. Isso porque o próprio anjo na segunda parte do capítulo assim interpreta. O carneiro representa a Média e os Persas (v.20), o bode a Grécia, o chifre notável o seu primeiro rei e os próximos 4 chifre como quatro reinos subsequentes. Então não há dúvidas historicamente que os gregos vieram após os Medo-Persas com um grande rei, Alexandre o Grande, e logo após sua morte o seu império foi dividido entre quatro generais que fundaram quatro sub-impérios (Cassandro, Lisímaco, Ptolomeu e Seleucida).

A diferença entre o preterismo e o historicismo é a relação entre Dan 8:8,9 com o chifre que sai do quarto animal em Dan 7. Como há uma forte relação entre ambas as visões elas devem ser consideradas juntas. Em Dan 7 também há uma descrição de impérios “mundiais” representados por animais/bestas. Eles são visto em sequência representando linearidade histórica. Tanto o leopardo em Dan 7 e o carneiro em Dan 8 possuem quatro protuberâncias (cabeças/asas e chifres). Em seguida, nos dois capítulos, aparece um chifre que cresce para atacar o povo de Deus até o tempo do juízo.

Continuando o paralelismo, nos dois capítulos os poderes crescem em força até atingir a Deus. Grécia foi mais forte que os Medo-Persas, e Roma mais forte que a Grécia. Há uma progressão de poder assim também como uma separação/distinção de reinos. Quando os preteristas identificam o último chifre como Antíoco IV eles não são fiéis à descrição das visões nem a história. Antíoco não possuiu um reino distinto dos gregos (Alexandre o Grande) nem foi maior que o seu fundador. Mas o império Romano foi.

Sobre a distinção de poder, as duas visões possuem uma sequência que sugere essa distinção de poder: “eu vi” + descrição do símbolo + direção + poder. Em Dan 8 essa sequencia distingue o carneiro do bode e em Dan 7 os quatro poderes da Babilônia (leão), Medo-Pérsia (urso), Grécia (leopardo) e Roma (besta espantosa). Porém não há nenhuma visão em Dan 8 para descrever o chifre pequeno no v.9. (Isso foi identificado por Martin Proebstle em sua tese de PhD em Antigo Testamento na Andrews University – Truth and terror). Estaria então os preteristas corretos ao identificarem o v.9 como uma continuação do poder anterior? (continua no próximo post)

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