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domingo, 2 de janeiro de 2011

Roupa nova


Um dos ritos mais comum do ano novo é vestir-se de branco. A crença é que ao vestir o branco, a pessoa terá paz, sabedoria e calma. Como uma energia, a cor da roupa expele as coisas negativas. O que não é explicado no entanto, é que energia é essa, tanto positiva como negativa? Essa crença está cheia de misticismo e engano satânico, que atribui a cores e objetos comuns a característica de amuletos. Isso faz com que esse ritual de ano novo desvie o foco de uma verdade importantíssima bem similar.

Apesar da Bíblia não atribuir poder mágico às cores, elas possuem um significado simbólico. O azul simboliza os mandamentos de Deus, por exemplo. Mas não existe uma regra onde sempre a cor significa algo. O branco em seu maior uso na Bíblia significa pureza, aceitação divina, justificação. Deus promete mudar a cor de nosso caráter pecaminoso de vermelho para branco (Is.1:18). E no apelo de Jesus a última igreja, o povo do juízo (Laodicéia), Ele oferece vestes brancas (Ap.3:18).

Pelo ritual do santuário também podemos inferir que a cor semelhante ao branco era atribuída a limpeza, a pureza de caráter. O linho, que possui uma cor esbranquiçada, em tons de amarelo ou cinza, é um tecido claro que representava pureza contrastada com o sangue que manchava de vermelho. Os sacerdotes oficiavam no santuário com vestes de linho (Ex.28:5,6) assim como as cortinas do santuário também eram do mesmo material (Ex.26:1,31).

Todos esses símbolos relacionados a presença de Deus mostra que o branco ou a cor clara simboliza pureza. No dia da expiação nos é dito que os israelitas deveriam usar vestes de pano de saco, como símbolo de sua humilhação e arrependimento. A vestimenta do sacerdote nesse dia também era especial. Ao invés da colorida endumentária, o sumo-sacerdote deveria vestir-se de puro linho branco.

O conceito de pureza relacionada a uma cor, a uma vestimenta apropriada, se relaciona bastante com o rito do ano novo dramatizado no dia 31 de dezembro nos dias atuais. Porém, ao invés de uma energia mística, ela simboliza um evento real, a humilhação do Filho de Deus (Rom.8:1,2; IICor.5:17; Fil.2:5-8), que deixando Sua glória tornou-se criatura e levou sobre Si os nossos pecados.

As vestes do Filho de Deus eram apropriadas para destruir os pecado, assim como a nossas também devem expressar essa realidade. Os israelitas no dia da expiação despiam-se de suas corriqueiras vestes e se entregavam a Deus. Desde o Éden e as vestes de pele feita por Deus, a vestimenta divina é usada como símbolo de salvação. E no ano novo divino as vestes usadas por nós devem refletir o caráter divino.

A parábola do banquete em Mt.22 novamente traz a simbologia das vestes relacionada ao evento do juízo. No ano novo divino, onde Deus convida todos nós para um banquete devemos nos apresentar conforme o figurino. Isso não significa que entraremos na festa por causa de nossas habilidades. A parábola afirma que a festa estava preparada antes mesmo do convite ser feito. Deus manda Seu Filho oferecendo de graça a salvação, mas a parte triste da história é que muitos infelizmente rejeitam o convite divino.

A festa do ano novo celeste, o dia da expiação, é um convite a vida eterna. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu único filho, para que todo aquele que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna.” Mesmo no episódio da vestimenta, a parábola ensina que Deus oferece tudo de graça, mas a escolha é humana. Deus não força, mas as conseqüências são eternas. Israel rejeita o Messias e é destruído. Você também rejeita a Jesus?

Para deixar bem claro que no dia do juízo apenas os méritos de Jesus nos salva, a parábola diz que Deus manda chamar os indignos, pobres, na linguagem de Laodicéia, os miseráveis, cegos e nus. Pois Jesus não veio salvar os sãos, mas os doentes e perdidos da casa de Israel. É para você e para mim, fracos, falhos, que Deus veio em Sua veste humilde.

Nessa simbologia de vestes de ano novo, o que me chama mais atenção é que Jesus como o Sumo-sacerdote no dia da expiação, troca suas vestes de glória por uma branca. Mas de acordo com Ap.19:13 as vestes de Cristo não continuam puras, elas são manchadas com sangue. Isso mostra que apesar de Sua inocência e pureza, Deus se contamina com o meu pecado. “Pois Ele se fez pecado por nós, a fim de que fôssemos feito justiça de Deus”. Essa veste de pecado nos garante as vestes da justiça e imortalidade (Ap. 19:8 e ICor. 15:53)

Comunicação divina

Deus oferece hoje, no banquete do ano novo, na mesa da ceia do Senhor, uma veste nova. Não importa a roupa que você usou na virada do ano, se branco ou se preto. Para Deus nosso caráter são como trapos de imundícia que precisam ser trocados. Deus em Seu amor nos oferece Sua vida, Sua roupa, Seu caráter. Deseja você entrar o ano de 2011 com roupa nova?

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Povo Novo

Como vimos no texto anterior, enquanto muitos cristãos focalizam sua atenção em simpatias místicas, o ano novo divino centraliza seu ritual na remoção de pecados por meio do Cordeiro de Deus. O rito da expiação do santuário, da limpeza da casa de Deus, é uma promessa que todas as impurezas do ano serão removidas pelo poder de Deus, que toma sobre Si os nossos pecados. Jesus nos garante uma vida nova no ano novo.

Mas Satanás tem desviado a atenção das pessoas dessa grande notícia do ano novo divino. O que veremos com mais detalhes agora é como os rituais divinos foram modificados transformado a identidade do cristianismo.

Em Daniel 7:25 e 8:11 nos é informado que o poder Satânico mudou os tempos, as leis e os rituais do santuário divino. Em lugar do sábado da criação, é introduzido o domingo como dia do sol e ressurreição; em lugar de celebrar o ano novo da maneira divina lembrando do santuário celestial, Satanás desvia a atenção para a terra e seus rituais cheios de luzes e muito barulho; em lugar do pôr-do-sol, o ano novo é contado a partir do sistema capitalista de meia-noite.

Assim, com a perda do rito o seu símbolo também é esquecido. A promessa da destruição do pecado e da purificação desse mundo é negligenciada. Porém, em meados de 1830, um homem chamado Guilherme Miller, um batista do estado de Massachusetts (EUA), começa a estudar a Bíblia com bastante cuidado. Ao se deparar com a passagem de Daniel 8:14 ele fica intrigado. Sem entender do que se tratava a purificação do santuário ele começa a estudar os rituais divinos.

Ao finalizar seu estudo, ele conclui que Jesus voltaria por volta de 1843, e o mundo como conhecemos acabaria. Como ele chegou a essa conclusão? Primeiro ele acreditava na literalidade e historicidade da Bíblia. Ao ler Daniel 8, em conexão com Daniel 7, a sequência de tempo foi estabelecida. Desde Daniel e Babilônia, Deus descreve os impérios de maior influencia até o estabelecimento do Reino de Deus.

Assim como Daniel 2 e 7, os reinos descritos em Daniel 8 são descritos de forma simbólica e seu tempo fora interpretado por Miller como simbólico. Considerando as passagens de Num.14:24 e Ez.4:6, ele viu que em profecia um dia significava um ano literal. Os chifres e bestas simbolizavam poderes políticos que deveriam ir até o fim dos tempos. E o chifre pequeno reinaria até a purificação do santuário.

Integrando Daniel 2,7,8 e 9, os cálculos de Miller acerca da purificação do santuário chega ao ano de 1843/44. Era comum naquela época e ainda hoje, interpretar o santuário purificado como a destruição do planeta terra. Mas não é bem assim. Lembremos que Satanás usou o poder romano para mudar as mensagens divinas. E o santuário foi uma delas. Dan.8:11 e IITs. 2:4 afirmam que o chifre atacaria o santuário e seus rituais mundanizando, ou seja, transferindo do céu para terra.

Mas Miller não entendera essa parte, e as implicações de sua interpretação eram imensas. Em meados de 1831 ele começa a pregar e divulgar suas conclusões. Cristo estava voltando em alguns anos e isso muda toda a maneira de viver. O juízo final está para acontecer. Ao ouvir as mensagens de Miller milhares de pessoas começam a estudar a Bíblia e chegar a mesma conclusão. Os números eram precisos, suas interpretações também. Começando com o decreto de Artarxerxes no ano 457 AC, passando pela morte de Jesus no ano 31 AD, o final das 2300 tardes e manhãs terminaria em 1843/44 ano da purificação do santuário.

Pessoas largam seus empregos para dedicar suas vidas a proclamação dessa mensagem tão importante. Tudo mudaria em alguns anos, os sofrimentos e morte cessariam. O pecado seria destruído e Deus reinaria para sempre. Era a virada de ano divino. E assim como no antigo Israel, Deus purificaria a terra por ocasião do dia da expiação.

Apocalipse 10 descreve essa movimento que toma conta do planeta em alguns meses. Sua mensagem a princípio era doce. O estudo do livrinho aberto por Jesus, o estudo das profecias de Daniel, restaurou o simbolismo do ano novo divino. Infelizmente, porém, os primeiros adventistas não entenderam tudo corretamente e ao continuar interpretando o santuário como sendo a terra eles tiveram uma amarga decepção.

O grande desapontamento no entanto, foi uma oportunidade para Deus purificar ainda mais o mundo das influências Satânicas. Após a grande decepção em 22 de outubro de 1844, um punhado de adventistas resolvem voltar ao estudo da Bíblia e orar buscando de Deus a resposta para o desapontamento. Deus não os desaponta. Em algumas semanas, eles descobrem verdades que mudariam a história.

Os cálculos de Miller estavam corretos, o erro porém era sobre a identidade do santuário. Ao estudarem passagens como Heb.4:14,15; 8:1,2 e Ap.11:19 eles descobriram que no céu, e não na terra, iniciou a purificação do santuário. Isso significava que logo depois da purificação do santuário celestial, Jesus voltaria a terra para depositar os pecados no bode Satanás que será destruído com todos aqueles que não confessaram seus pecados a Jesus.

A verdade sobre a mediação e o perdão unicamente em Jesus Cristo é restaurada. O símbolo do ano novo divino é colocado novamente em seu devido lugar. Um novo grupo surge em decorrência dessa descoberta. Os Adventistas do Sétimo Dia surgem como o remanescente profético restaurando as verdades escondidas pelo cristianismo apóstata.

Ap.14 mostra o contraste entre os que entendem o ano novo divino, o dia do juízo, e os que não entendem. Os que seguem Babilônia e depositam sua confiança em ritos místicos serão destruídos. Porém, os que depositam sua fé na Palavra de Deus e no Cordeiro de Deus serão salvos do mundo de pecado.

Comunicação divina hoje: Deus ainda hoje está presente no dia a dia do Seu povo. Se fizermos parte da igreja verdadeira teremos um senso de impureza e impureza. Nossas roupas, gestos, palavra e o que comemos ou deixamos de comer será modificado a luz da Revelação bíblica. E sobre isso refletiremos mais amanhã.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ano novo divino

É ano novo e o que percebo é que o Cristianismo tem esquecido o significado do tempo. Muito se fala em vestir branco, não andar para trás, colocar moeda debaixo do tapete, pular 7 ondas e outras coisas bizarras que não encontram respaldos na Bíblia. Acredita-se que esses rituais irão mudar a vida dos que praticarem tais atos. Enquanto isso a Bíblia ensina algo bem diferente.

Ao Israel sair do Egito, Deus ensina ao Seu povo que o tempo deveria ser contado em relação ao santuário. Haviam 7 grandes festas em Israel. Páscoa, Pães asmos, Primícias, Pentecostes, Trombetas, Expiação e Tabernáculos. As duas últimas festas eram relacionadas ao ritual de passagem de um ano para outro. É importante lembrar que a contagem de dias e meses não era como o nosso atualmente. Mesmo celebrado no sétimo mês, o rito da expiação comemorava a passagem do povo de Israel de um ano para o outro.

Isso porque durante o período de um ano, os Israelitas poderiam pedir perdão de pecados através de uma oferta. O livro de Levíticos mostra que as impurezas de todo Israel era depositada no santuário. Mas no último dia, o dia da expiação, a limpeza ocorria não só no arraial como no santuário.

O rito ocorria por causa das impurezas em Israel. Deus é puro e santo e o povo deveria também ser puro e santo (Ex.19:6 e Lev. 19:2). Como Deus habitava no meio do povo (Ex.25:8), as doenças, impurezas físicas, e pecados contaminavam Sua casa. Mas essa contaminação era benéfica, pois tinha o objetivo de purificar, de remover a maldade do povo (Lev.5:18). Assim como um hospital está cheio de doenças, mas continua sendo o local de cura, o santuário de Deus era uma esponja que sugava as impurezas do Israelitas arrependidos.

O esquema funciona em duas etapas. Todos os dias as ofertas e sacrifícios ensinavam o Israelita que o pecado traz morte. E mediante o arrependimento e confissão, o pecado era transferido para o santuário, através da oferta. A habitação de Deus era sujada por todo um ano e no último dia do ano ritual, ele era limpo. Era o dia da expiação, da remoção do pecado.

A casa de Deus funcionava como um depósito de pecados, por mais estranho que isso pareça. Is.53 afirma que Deus se tornou pecado para nos dá a paz. Essa é a loucura do evangelho que nos ensina o ritual de ano novo divino.

O texto de Lev.23 explica que durante o ritual todo Israelita deveria jejuar, vestir roupas simples e afligir suas almas, ou seja, examinar sua consciência e arrepender dos pecados. Confiantes nos méritos do sacrifício e da mediação do sacerdote, o Israelita deveria esperar ao final do dia uma vida renovada. Seus pecados haviam sido removidos e sua culpa também.

Esse ritual de ano novo era um memorial a fim de que os homens lembrassem de sua condição de pecado e do perdão que há em Jesus. Porém, Satanás destrói a continuidade pedagógica desse rito introduzindo coisas estranhas como vemos hoje relacionado ao ano novo. Daniel 7:25 e 8:11 mostram que o inimigo não tem interesse algum no ritual do ano novo divino.

O Cristianismo perde a noção de tempo com o chifre pequeno e assim, esquece do ritual do ano novo. O dia do perdão é substituido por Satanás e a igreja apóstata. Por centenas de anos, as pessoas não tiveram a chance de comemorar uma vida nova, e por isso, depositaram suas esperanças em rituais que não possuem poder de mudança para o bem. Porém, o mundo não poderia ficar assim e Deus promete a restauração da comemoração do ano novo.

No céu, Jesus oferece Sua vida como garantia de uma nova vida (Heb.4 e 8). Em 1844, Jesus iniciou uma nova fase da história. Com Guilherme Miller e o movimento adventista Deus iniciou a restauração da verdade destruída por Satanás. A promessa de uma vida nova, um ano novo é restaurada. A promessa é para todos os que creem em Jesus. Nos próximos textos sobre o ano novo reflito sobre as implicações do ano novo divino.

A comunicação divina para esse ano novo é: Deus, como no passado, deseja oferecer uma nova vida, um novo ano. Jesus, o Cordeiro e Sumo sacerdote nos oferece uma nova vida mediante Seu sacrifício e vida.

sábado, 7 de agosto de 2010

REVELAÇÃO em Ellen G. White e na teologia Emergente

Introdução

A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) tem como base de todas as suas crenças e práticas as Sagradas Escrituras.[1] E por essa razão, a compreensão do tema da Revelação e temas relacionados, tais como Inspiração, é de grande importância, visto seu efeito sobre as demais áreas da teologia como o Adventismo compreende.[2] Mas o fato é que dentro do Adventismo não há uniformidade acerca do assunto.[3]

Entre as muitas opiniões, a organização da IASD tem uma posição clara sobre Revelação, como encontrado no Nisto Cremos, no Manual da Igreja e no Handbook of Adventist Theology. Ela considera as Escrituras como a “escrita Palavra de Deus, dada por divina inspiração através de homens santos de Deus que falaram e escreveram ao serem movidos pelo Espírito Santo. Nesta Palavra, Deus confia à humanidade o conhecimento necessário para a salvação. As Santas Escrituras são a revelação infalível de Sua vontade. Elas são o padrão de caráter, o teste da experiência, a autoritária reveladora de doutrinas, e o confiável registro das ações de Deus na história.”[4]

Durante sua história, o Adventismo do Sétimo Dia tem enfrentado muitos desafios acerca da compreensão que a Igreja possui sobre a maneira que Deus se revela com a humanidade.[5] A nova onda é o movimento Emergente. Sua influência traz “novos” desafios ao Adventismo e a sua compreensão sobre a doutrina da Revelação e Salvação. Ciente do perigo de algumas crenças Emergentes, algumas respostas foram produzidas por líderes Adventistas.[6] Todas essas respostas são geralizadas em sua argumentação e não endereçam especificamente o tema da Revelação e sua influência sobre a soteriologia Adventista.

O objetivo desse pequeno artigo é comparar brevemente os conceitos de Revelação e Salvação em Ellen G. White (EGW) com a Igreja Emergente (IE). Há várias razões pelas quais eu escolhi EGW como base de contraste com os Emergentes. Eu destaco primeiramente que ela é considerada uma profeta e portanto, uma voz autoritária no Adventismo; segundo, EGW está imersa no tema da Revelação por ser ela mesma uma profeta que recebeu revelações do Senhor; terceiro, ela tem uma mensagem clara sobre o assunto; e por último, ela está fora do debate hoje entre os simpatizantes e críticos da IE, podendo assim ter uma “neutralidade” sobre o assunto.

Abaixo contrasto as interpretações acerca do ensino bíblico da Revelação e dois temas relacionados, Deus e Salvação. A seleção desses dois temas não é aleatória mas lógica, visto que há uma conexão intrínseca entre Revelação, Deus e Salvação. Definindo Revelação como: comunicação de Deus com o intuito de descrevê-lO, e produzir uma resposta positiva de Sua criação, salvação é a resposta interativa humana para com a Revelação divina. E como veremos, tanto EGW e a IE fazem fortes relações entre esses três temas teológicos.

Ellen G. White Revelação

A autora EGW escreveu extensivamente. Portanto, por clareza e objetividade de argumento, nesse artigo selecionei uma porção dos escritos de EGW onde ela trata especificamente dos temas acima mencionados. Selecionei o volume 8 dos Testemunhos para as Igrejas [7], p.256-335, porque nessa porção de seus escritos achei a apresentação mais clara e extensa sobre Revelação e os perigos relacionados com falsos ensinos acerca de Deus. Esse é o ponto principal que causa tensão entre os simpatizantes e os inimigos da visão Emergente entre o Adventismo.

O Testemunho foi publicado em meados da virada do século, pelo ano 1904, “para enfrentar uma crise – a maior crise que a Igreja Adventista do Sétimo Dia já enfrentou” (p.5). A crise envolvia diferentes a compreensões acerca da divindade, Revelação e consequentemente, soteriologias moldadas no formato dessas diferentes visões sobre Deus. Portanto, ela abalou “o próprio fundamento da fé Adventista do Sétimo Dia.” (p.5)

O tema central do argumento de EGW, em sua resposta às idéias panteístas de Kellogg, é como Deus interage com a criação. Para ela, Deus é um ser pessoal (não uma energia), que administra a criação e reina sobre ela (p.263). A criação do ser humano à imagem de Deus é uma evidencia que o Criador interage com a criação em uma forma pessoal (p.263). Antes do pecado, a natureza claramente refletia a Deus, mas após, a luz do conhecimento de Deus é “deturpada” e o homem não pode mais compreender a divindade perfeitamente (p.256).

Agora, no período do pecado, Deus revela a Si mesmo novamente de forma clara através das Escrituras e, especialmente, por meio da encarnação de Seu Filho (p.257,265). É na luz da glória do conhecimento de Deus na face de Jesus Cristo que a correta compreensão do caráter de Deus é discernido. Isso porque Cristo Jesus é o único caminho de comunicação entre Deus e o homem (p,265). EGW contrasta esse interpretação da Revelação com aquela que ver a natureza como suficiente para revelar o caráter de Deus e que habilita a humanidade alcançar o Criador por si mesmo (p.267-285). “A razão deve reconhecer a autoridade acima dela mesma.” (p.285)

Ela continua afirmando que o conhecimento de Jesus Cristo na cruz, como revelado nas Escrituras, é o centro da manifestação de Deus e o único conhecimento que pode salvar o homem de seu pecado (p.287, 289). Satanás, em contraste, introduz “fábulas agradáveis” para divergir a atenção dos homens da Revelação de Deus e produzir morte na humanidade (p.290).

A teoria de que Deus é uma essência que penetra toda a natureza é um dos mais sutis artifícios de Satanás. Representa falsamente a Deus e é uma desonra para Sua grandeza e majestade. As teorias panteístas não são apoiadas pela Palavra de Deus. A luz de Sua verdade mostra que essas doutrinas são meios destruidores de vidas. As trevas são o seu elemento; a sensualidade, a sua esfera. Satisfazem o coração natural, e favorecem a inclinação. A separação de Deus é o resultado de sua aceitação.”

Ela identifica o centro do problema. Enquanto as Escrituras ensina que apenas Jesus pode salvar pecadores, o espiritualismo coloca Deus dentro do ser humano, o capacitando para alcançar sua própria salvação (p.291). E esse falso ensino assaltará a Igreja com mais ainda mais força no final do tempos por meio de uma religiosidade sensacional (emotiva) e doutrina especulativas acerca da natureza divina e da Revelação (p.294,295). A solução para resistir essas falsidades está em ler as Escrituras assim como está escrito e por meio dela obter o conhecimento de Jesus tal quão a Revelação ensina (p.299).

Emergentes e Revelação

Para descrever a compreensão da IE sobre Revelação, escolhi o livro A is for abductive: the language of the emerging church,[8] primeiramente porque seus autores são Emergentes; segundo, porque suas obras são mencionadas em repostas tanto de Adventistas como de Evangélicos; e por último, por praticidade esse livro tem o objetivo de explicar os conceitos básicos da teologia Emergente. Formatado como um dicionário, o livro é estruturado em verbetes importantes na teologia Emergente com suas respectivas explicações.

Começando com Deus, os autores O descrevem como sendo tanto transcendente como imanente, perto da natureza e ao mesmo tempo longe dela (p.286). Deus é também visto em toda a criação, que é sagrado como Deus (p.265). Essa santidade é atribuída tanto a criação como ao Criador, portanto, tudo é sagrado e deve ser considerados com respeito (p.78,79). Destruir a natureza é destruir a humanidade, pois os seres humanos fazem parte do todo. Toda a criação está relacionada (p.72,79).

Essa compreensão da criação como parte de Deus é importante para a teologia Emergente pois “a experiência do eu como parte dos outros” é o caminho para entender o divino (p.72). Não há uma Revelação fixa de Deus, como as Escrituras vista por EGW, mas a vida do ser humano é parte da vida de Deus. A verdade de Deus é conhecida na interação com a comunidade, em experiências pessoais e comunitária do divino (p.75). Assim, para compreender Deus, o ser humano precisa compreender a estória humana (p.193-195). Revelação é definida como a “constante participação do cristão na estória de Cristo e Sua igreja” (p.234).

As Escrituras não funcionam como uma Revelação fixa de Deus, mas elas servem para despertar a espiritualidade em um encontro existencial dentro da comunidade de fé (p.265,266). Para alcançar esse objetivo de forma mais eficaz o indivíduo precisa escutar múltiplas interpretações de uma mesma passagem da Bíblia vindo da comunidade de fé para que o verdadeiro significado pessoal da passagem seja compreendido. Nesse esquema, o relacionamento místico entre Deus e o homem é o caminho desejado para desenvolver a espiritualidade. Místico aqui é o oposto do conceito moderno de racionalidade (p.203,204).

A maneira ideal desse relacionamento místico (ou irracional – tendo como partida o racionalismo da era moderna) com Deus, ocorre por meio da oração. “Oração é o mais poderoso campo de força do universo...oração é outra palavra para experimentar Deus” (p.243). Logo, Deus é revelado no encontro ou experiência instigada através do exercício da oração. Isso qualquer um pode fazer como achar melhor, pois religião é tudo que possibilita o relacionamento entre Deus, ao contrário de dogmas fixos, doutrinas ou instituições (p.267,268). A solução para unificar Deus com a humanidade é o auto-conhecimento que todas as coisas fazem parte de um todo.

Conclusão

Os pontos de vista tanto de EGW e da IE, como descrito acima, possuem similaridades e dissimilaridades. Ambos concordam que Deus existe e revela-Se aos homens. Suas interpretações acerca do ‘como’ essa Revelação ocorre é outra história. Enquanto EGW ver a Revelação de Deus em dois estágios, antes do pecado (claramente em toda criação) e após o pecado (claramente somente mediante Jesus e Escrituras), os Emergentes enxergam Revelação clara no relacionamento humano com a natureza ainda hoje.

A teologia Emergente, como representada em A is for abductive, considera a criação e o Criador santos e em uma unidade inseparável. EGW, no entanto, observa uma separação entre esses dois elementos que só pode ser remediada por meio de Jesus. Essa distinção entre a criação e o Criador faz com que em geral a concepção de Revelação deles sejam bem diferentes. No primeiro caso os seres humanos podem por si mesmos obterem o conhecimento salvífico mas no último caso, apenas Jesus como Revelação suprema de Deus oferece conhecimento capaz de salvar o pecador.

A IE pode ser considerada um dos perigos que EGW aponta em suas advertências acima. Nesta maneira, a mensagem soteriológica Adventista pode ser modificada negativamente caso os conceitos de Revelação e Deus Emergentes forem aceitos. Assim, creio que a posição oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia acerca de Deus, Revelação e Salvação está em maior acordo com a explicação de EGW e em desacordo com a IE.



[1] Nisto Cremos : 27 ensinos Bíblicos dos Adventistas do Sétimo Dia. (Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia) Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. (2003) p.4. Manual da igreja : Igreja Adventista do Sétimo Dia (Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia).Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. (2007) p.9.

[2] Peter M. van Bemmelen. Revelation and inspiration.IN: DEDEREN, Raoul. (org.) Handbook of Seventh-day Adventist theology. Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association. (2000) p.22-57. Richard M. Davidson. Biblical interpretation. IN: DEDEREN, Raoul. (org.) Handbook of Seventh-day Adventist theology. Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association. (2000). p.58-104. Review and Herald Publishing Association. (2002)

[3] Para um panorama histórico das divergentes opiniões no Adventismo ver: Alberto R. Timm, Divine accommodation and cultural conditioning of the inspired writings. Journal of the Adventist Theological Society, 19/1-2(2008): 161-174. Idem. Adventist views on inspiration. Perspective Digest, 13/3 (2008): 24-39. Idem. Adventist views on inspiration. Perspective Digest, 14/1 (2009):44-56 . Lael Caesar. Hermeneutics and culture. Perspective Digest, 14/3 (2009): 24-49.

[4] Nisto Cremos : 27 ensinos Bíblicos dos Adventistas do Sétimo Dia. (Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia) Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. (2003) p.4. Manual da igreja : Igreja Adventista do Sétimo Dia (Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia).Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. (2007) p.9.

[5] Alberto R. Timm, Antecedentes históricos da intrepretação bíblica Adventista. IN: George W. Reid (ed.) Compreendendo as Escrituras uma abordagem Adventista. Engenheiro Coelho, SP:Unaspress. (2007)

[6] Samuel Koranteng-Pipim. Trojan horses: the new spirituality movements. Adventists Affirm, 23/1 (2009) (pode ser acessado em http://www.adventistsaffirm.org/article.php?id=241) Ted Wilson. Go forward. Sermão dirigida a assembléia geral no encerramento da Conferência Gerald a Igreja Adventista do Sétimo Dia em Atlanta, Julho 03/2010. Fernando Canale. The emerging church: why does it mean? And why should we care?. Adventist Review. June 10, 2010. (pode ser acessado em http://www.adventistreview.org/issue.php?issue=2010-1516&page=16)

[7] WHITE, Ellen G.Testemunho para as Igrejas. Vol.8. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. (2001)

[8] HASELMAYER, Jerry. MCLAREN, Brian D. SWEET, Leonard. A is for abductive: the language of the emergent church. Grand Rapids, MI: Zondervan. (2003). Para mais informações sobre como alguns evangélicos avaliam o movimento Emergente uma boa consulta é a obra CARSON, D.A., Becoming conversant with the emerging church: understanding a movement and its implications. Grand Rapids, MI: Zondervan. (2005).

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Incontrolável, mas previsível

A gloria de Deus é autônoma. Isso significa que nós não podemos controlar suas ações. Porém, apesar dela ser incontrolável, Ela é previsível. A sua previsibilidade tem como referencia o padrão de sua movimentação na história e as referências do próprio Deus sobre Sua movimentação.

A razão de sua saída, tanto no Êxodo mosaico como no êxodo de Ezequiel, é a iniquidade dos homens.

Como vimos no texto anterior (glória condicional II) a glória de Deus é associada a Sua santidade. Ela habita o santuário, e dentro dele mais especificamente a arca da aliança. Era do lugar santíssimo, o compartimento mais interior do santuário, que a glória comunicava com Israel. Sua locação é sugestiva de seu padrão de movimento. Dentro da arca estava os 10 mandamentos ou promessas divinas. Anterior a habitação da glória na arca, ela permaneceu no monte Sinai, de onde foram proferidas os conselhos e legislações divinas à Israel.

No livro de Ezequiel, esse padrão de movimento da glória é visto com maior nitidez. O livro do profeta começa uma visão da glória de Deus em movimento (Ez.1). Ela então é vista parada em sua morada, a arca da aliança no lugar santíssimo do santuário em Jerusalém. Porém, a partir do capítulo 8 ela sai do lugar santíssimo para fora dos portões do templo terrestre construído por Salomão. A visão é aterradora ao profeta, pois a sua saída segue calamidades terríveis quase ao ponto de destruir toda a nação de Israel. Assim como Moisés, Ezequiel clama para que a glória permaneça e Deus tenha misericórdia do Seu povo (Ez.9:8).

A razão de sua saída, tanto no Êxodo mosaico como no êxodo de Ezequiel, é a iniquidade dos homens. A idolatria do bezerro de ouro no Sinai e a idolatria de Baal e Tamuz no templo expulsaram a santidade divina. Sem santidade e sem lei, a glória desaparece, pois, a glória é santa tal como a lei do Senhor. A movimentação da glória do Senhor depende da fidelidade do povo que caminha próximo a Ela. Esse tem sido o padrão na história. E as previsões celestes sobre Sua movimentação revelam ainda mais sobre essa relação entre glória e lei. Mas acerca dessa comunhão refletiremos mais tarde.

Comunicação divina de hoje: “Feliz o homem que não caminha nos conselhos dos ímpios...mas seu prazer está na lei do Senhor...O Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.” (Sal 1)

sábado, 12 de junho de 2010

Glória condicional - II

No texto anterior, refletindo sobre a glória de Deus, afirmei que o divino transforma os lugares e o tempo nos quais Ele habita. Somente mediante a Sua presença elas adquirem características santas e gloriosas. Assim, nenhuma criatura possui glória inerente ou independentemente de Deus. Tanto que sem a presença de Deus, objetos e tempos santos se tornam ordinários novamente. Surge então a questão, quais os motivos que fazem com que Deus habite em Sua glória em certo lugar ou tempo e/ou o abandone? Antes de refletir sobre tais questionamentos, gostaria de escrever um pouco mais sobre a condicionalidade da glória de acordo com as Escrituras.

Não era o povo que guiava a glória de Deus

A glória de Deus está associada ao santuário por razões lógicas. Santuário significa “lugar santo”. A glória de Deus é santa e, portanto, o lugar de Sua habitação é santo. Por isso, a maioria das referências bíblicas acerca da glória de Deus estão associadas ao santuário, seja ele do tempo ou do espaço. No livro de Êxodo, onde aparece pela primeira vez o termo “glória de Deus”, a impressão que temos é que a glória de Deus é móvel e não estática.

Por ser móvel, Ela muda. Essa mudança não significa imperfeição, mas atividade. A glória primeiramente habita uma nuvem no céu (Ex.16). Depois Ela, por algum tempo, permanece no monte Sinai (Ex.24:16,17; 33:18), mas após a construção do tabernáculo Ela passa a fazer morada entre os querubins na arca da aliança (Ex.25:8,22; 29:43).

O tabernáculo fora feito de objetos portáteis, facilmente desmontados e montados, facilitando o seu transporte no deserto rumo à terra prometida por Deus. A glória de Deus caminhava com o povo, não permanecia em um lugar, porque Ela tinha um destino final. Enquanto esse destino não chegava, a glória se movimentava de acordo com a Sua vontade.

Não era o povo que guiava a glória de Deus, mas o oposto. A nuvem da glória divina se movimenta, guiando Israel (Ex.40:36-38). O povo só andava quando a glória avançava. Por cerca de um ano eles permaneceram ao redor do Sinai porque a glória do Senhor permaneceu no monte. Mas quando a glória estava pronta para mover-se, o povo a seguia.

Seguir a glória de Deus trazia direção, segurança e vida. Quando alguns se apartaram do arraial, onde a glória do Senhor permanecia, eles acabaram morrendo (Ex.16; Num.14). Moisés, reconhecendo a importância da presença da glória do Senhor no meio de Israel, clama para que Ela não os deixe (Ex.33:14,15). Tal clamor só foi necessário porque Ela é autônoma. Deus iria deixar Israel. Sem a glória de Deus, os Israelitas estariam perdidos.

Comunicação divina de hoje: A glória é independente. Não somos nós quem a controlamos, mas Ela quem deve nos guiar. Perder o foco da glória é morte na certa.

sábado, 22 de maio de 2010

Glória condicional


O santuário de Deus é o centro de Sua glória, pois é o local de Sua habitação. Glória existe onde Deus está. Os objetos em si não possuem glória divina a não ser que estejam em contato com o Deus da glória. O arbusto no deserto se tornou santo e glorioso quando Deus habitou nele. O monte Sinai se tornou santo e glorioso quando o Senhor habitou em Seu cume. A tenda do tabernáculo se tornou santa e gloriosa quando Jesus fez morada em seu interior. Sem a presença de Deus, arbusto seria arbusto, monte seria monte, e tenda seria tenda.

Sem a glória divina, tais objetos seriam apenas mais um entre muitos

Mas ao receber a glória divina, tais objetos comuns se tornaram extraordinários. Sem a glória divina, tais objetos seriam apenas mais um entre muitos, esquecido em meio à multidão. Porém, a glória de Deus torna o ordinário em excepcional. O qualquer se torna único. A vegetação no deserto do Horebe morreria desconhecida como qualquer outro arbusto do deserto. O que a fez notória não foi sua origem ou natureza, mas a habitação da glória de Deus.

O arbusto, que tem sua origem com o pecado (arbustos são plantas espinhosas - ver Gn.3:18), é usado pelo Senhor para falar com Moisés. Ainda hoje se faz menção da sarça ardente. O qualitativo ardente define a sarça. A glória de Deus define a existência do santuário. O lugar é santo porque o Santo Rei da Glória habita em seu meio. A Bíblia é santa e gloriosa porque Deus fala por seu meio. A igreja é santa e gloriosa porque Deus está em seu meio. O homem é santo e glorioso quando o Espírito do Senhor habita em seu meio.

Sem Deus, sem a glória do Senhor, nenhum desses seres seriam santos ou gloriosos. A Bíblia seria apenas um livro qualquer; a igreja, uma comunidade qualquer; o homem, um animal qualquer. Assim sendo, será que a glória de Deus pode se retirar de sua locação? Se sim, quais os motivos que fazem com que Deus habite em Sua glória em certo lugar e/ou abandone tal espaço? Respostas a tais questionamentos são importantíssimas e requerem cuidadosa atenção. As implicações serão buscadas em futuros textos do comunicação divina.