O livro do Apocalipse, por sua linguagem simbólica, permite uma gama de interpretações. Várias leituras foram sugeridas para esclarecer sua mensagem dentro do Adventismo. Aqui reflito sobre algumas possibilidades interpretativas de Apoc 4-7 (7 selos) dentro de uma perspectiva historicista.
Os pesquisadores historicistas consultados concluem que os selos devem se compreendidos como as 7 igrejas, representando um panorama histórico que inicia na época do profeta até a volta de Jesus. A base textual apontada por eles é ancorado no sexto selo que descreve a vinda do Messias ou o grande e terrível do Senhor mencionado pelos profetas do Antigo Testamento (Apoc 6:16). A partir dessa conclusão, eles sugerem que o início dos selos devem começar no tempo do profeta João, o século I AD.
Alguns argumentos textuais são relacionados ao início dos selos. (a) A visão do trono em Apoc 4-5 representa a entronização de Jesus após Sua ascenção; (b) Semelhança com outras profecias apocalípticas que iniciam no tempo do profeta e vão até o fim - e.g. Dan 2, 7; Mat 24 e Apoc 2-3. Dessas passagens apenas em Daniel é deixado explícito que a profecia deve ser interpretado como um panorama do tempo do profeta até o tempo do fim. A passagem de Mat 24 não deixa claro a sequência histórica dos eventos descritos e as 7 cartas às igrejas (Apoc 2-3) também não possuem marcadores cronológicos explícitos.
Por causa da ausência de marcadores temporais alguns intérpretes sugerem que as 7 igrejas e os selos podem ser intepretados como símbolos de períodos específicos na história tanto quanto eras gerais que apresentam características descritas no texto. Outros, no entanto, acreditam que é possível atribuir datas específicas tanto às 7 igrejas como aos 7 selos. Apesar da divergência nos detalhes há pontos em comum entre eles. Os 7 selos são divididos em duas partes, 1-4 e 5-7. Os quatro primeiros selos se aplicam primariamente até a Reforma Protestante no século XVI AD. Os últimos selos (5-7) devem representar eventos após a Reforma indo até o fim. O argumento textual para a divisão é claro, há quatro cavalos nos primeiros 4 selos.
Jon Paulien, Ranko Stefanovic e Hans LaRondelle por exemplo escrevem que os selos 1-4 são lições gerais da rejeição do evangelho de Cristo. Visto que o branco no Apocalipse sempre é relacionado a Deus e seu povo, o cavalo branco representa Jesus e o Evangelho. Na sequência os próximos cavaleiros e cavalos representam inimizade ou rejeição do Evangelho. A violência usada contra Cristãos descritas nos selos 2-4 continuam atualmente, por isso sua aplicação não terminou.
Roy Allan Anderson prefere atribuir datas específicas aos selos igualando a sua interpretação das 7 cartas em Apoc 2-3. No próximo texto há uma tabela resumindo a aplicação histórica dos selos de algumas possições interpretativas discutidas aqui.
Na pós-modernidade, Deus está muito ativo, ao contrário do que Nietzsche afirmou. Na era da comunicação digital, Deus interage de diversas maneiras com homens e mulheres, como eu e você. Assim como no passado, "Deus havendo falado muitas vezes e de diversas maneiras", hoje Ele continua a falar. Pois Deus gosta de comunicação. É sobre essa simbiose entre comunicação e Deus que eu gosto de falar.
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segunda-feira, 30 de março de 2015
sábado, 22 de março de 2014
A que(m) se refere a profecia sobre os reis do norte e do sul e quais eventos são descritos Dan 11:40-43?
A expressão “no fim do tempo” (et qetz) de Dan 11:40 marca o período
histórico desses versos (11:40-12:3). Ela é usada anteriormente em Dan 8:17. Em
Dan 8 esse é o tempo final dos 2300 anos. Na interpretação profética
historicista esse período termina em 1844 AD. O anjo que interpreta a visão
parece sugerir que o tempo do fim (8:17,19) é o período final e posterior aos
2300 anos num futuro distante do profeta Daniel (8:26).
Em Dan 12:4,6,9 o anjo diz a Daniel que o livro deverá ser selado até o
“tempo do fim” (et qetz) quando ele seria aberto ou compreendido no
período final das 2300 anos. Portanto, os eventos de Dan 11:40-12:3 devem ser
interpretados como eventos históricos cerca de 1844 AD quando o livro deixa de
ser selado (aberto – compreendido. Em Dan 11 essa expressão ocorre antes no
v.35 mas o anjo deixa claro que se refere ao futuro dos eventos ali descritos,
como no v.27, com o qualificador moed (tempo determinado – como estações em Gen
1:14).
Durante ou após a compreensão profética dos livros de Daniel e Apocalipse
nos anos próximos a 1844 o rei do norte lutará com o rei do sul novamente
(v.40). Perceba que o reino do sul não havia sido mencionado em Dan 11 desde o
v.15 (Quando Roma surge no cenário de Dan 11? (11:14-22)). O reino do norte em 11:15-16 é Roma que vence
os Gregos (rei do sul) e conquista a terra prazerosa (Palestina).
No v.45 há a descrição sobre o final desses poderes, é o final do tempo do
fim. Nesse tempo Miguel surgirá para restaurar Seu povo perseguido por esses
poderes (12:1-3). Essa restauração em Dan 2, 7 e 8 é o estabelecimento do reino
divino após os reinos maus, principalmente Roma, o último. Mas quem é rei do
sul, que não é mencionado desde 11:15?
No historicismo há divergências quanto a quem seja o rei do sul. Roy Gane
and Younker, professores do Seminário Adventista na Andrews University
recentemente propuseram que o rei do sul é o Islã. Urias Smith enxergou o rei
do sul como o poder Islâmico Otomano representato pelo Egito e os Turcos em
contrapartida aos poderes europeus de Napoleão Bonaparte. O ponto em comum de
ambas as interpretações é ler a “santa e bela montanha” (har-tzevi-qodesh)
literalmente, ou seja, a Palestina ou o território de Jerusalem.
William Shea, Hans LaRondelle e Tiago White enxergam a “santa montanha” de
forma diferente e não geográfica. Na hermenêutica deles à luz do Novo
Testamento principalmente do livro de Apocalipse os símbolos apocalípticos pós-cruz
devem ser interpretados espiritualmente pois não há Israel geográfico e sim
como um povo que aceita o Messias (Cristo). A profecia continua tendo seus
parâmetros geográficos na Palestina e Jerusalem em seu centro de referência
pois esse era o local do Templo da época do profeta Daniel.
Nesse prisma o rei do sul é o Egito não geográfico mas espiritual como os
profetas Isaías e outros já haviam indicado. O Egito é o poder inimigo de Deus.
Em Apoc 11:8 o Egito é o nome do poder inimigo de Deus. A passagem de Apoc 11 é
vista por “todos” os Adventistas historicistas (tendo Ellen G. White Grande
Conflito como suporte) como sendo a França ateísta contra o Cristianismo.
Visto que a profecia ainda não se cumpriu é difícil saber quem está
correto. O ponto de discusão aqui é como interpretar “terra” em profecia
apocalíptica. Os literalistas (Smith, Gane e Younker) vêm Egito Islâmico como o
rei do sul enquanto os espiritualizadores acham que o rei do sul seja o ateísmo
iniciado na Revolução Francesa (França).
Quais as implicações de cada interpretação? Continua em breve...
sábado, 9 de novembro de 2013
Quem é o governante de Dan 11:31-39 e quais os eventos históricos profetizados nessa seção profética?
Anteriormente (ultimos 2 textos) expliquei que os preteristas enxergam
Antíoco IV Epifânio desde o v.13 até o final de Dan 11. Os futuristas gostam de
Epifânio até o verso 35, mas o final eles vêem um “Antíoco” em escala
cósmica, o anticristo popularizado na séria Deixado para Trás. Mas como
já expliquei antes eu adoto o mais coerente método historicista de
interpretação profética.
O historicismo Adventista interpreta o v.22 como Jesus no Império Romano do
século I (o príncipe da Aliança). Nesse ponto todos Adventistas pesquisados concordam.
Mas do v.23 ao final não há unanimidade. Eu
advogo a possição de Urias Smith que vê no v.31 uma relação com Dan 12:11
(remoção do diário e estabelecimento da abominação desoladora). A abominação
desoladora é o Cristianismo apostatado Papal.
As descrições feitas nos v.31-39 são profecias acerca dos séculos VI ao
XVIII (do “estabelecimento” do papado em 508 até a sua remoção em 1798 – 1290 anos
de Dan 12:11). Em Daniel 11 quando Roma Papal é descrita a linguagem muda de
reis do norte e sul batalhando entre si para apenas o reino do norte perseguindo o povo
de Deus.
Smith
argumenta que a linguagem é mais espiritual que física, isso não diminui a
realidade da perseguição efetuada na Idade Média. Como William Shea ele
interpreta a perseguição do v.33 acontecendo nos 1260 anos de atrocidades do chifre referido em Dan 7 que é Roma Papal.
No entanto, Smith vê nos v.36-39 a Revolução Francesa que deu cabo a essa fase
do chifre Romano. Para ele a expressão do verso 37 “não terá respeito aos
deuses de seus pais” é o Ateísmo forte que persegue os Cristãos na França. Mas isso deve
ser averiguado com mais cuidado.
Creio que
Smith ao isolar esse termo se equivoca em remover o foco da profecia no poder
Papal. “Não terá respeito aos deuses de seus pais” creio que seja uma descrição
do ataque religioso dos reis maus contra a aliança (v.26,28). Comparando esse
poder de Dan 11 com o chifre pequeno de Dan 8 entendemos que essa oposição contra
Deus não é expressada com o Ateísmo mas com um sistema idólatra de engano (11:38,39).
A religião desse poder da Idade Média contrafaz a verdadeira religião bíblica. Assim, os v.31-39 refere-se ao poder Romano Papal até o tempo do fim
(v.40).
sábado, 2 de novembro de 2013
Quais os poderes e eventos históricos que Dan 11:23-31 anuncia?
Preteristas e futuristas enxergam Antíoco IV Epifânio desde o v.13.
Historicistas no entanto divergem dessa interpretação e limitam o
papel desse príncipe na profecia. O ponto de transição é o v.22. Para os
historicistas Adventistas o termo “príncipe da aliança” (Heb. nagid berit)
é interpretada à luz de Dan 9:25 e se refere a Jesus.
O Messias foi morto no tempo dos Romanos e o v.22 refere-se ao tempo do
império Romano no esquema historicista. A ideia
que Roma está sendo descrita nessa seção de Dan 11 já era reconhecida pelos
Judeus tradutores do livro de Daniel para o grego (a Septuaginta ou LXX) antes
de Cristo, visto que eles traduziram o termo hebraico kittim por romaios.
Considerando que o v.22 deve ser colocado provavelmente no tempo de Jesus
Cristo e o v.31 é uma referência ao chifre pequeno na Idade Média (8:11,12;
12:11 – profana o templo, remove o diário e põe a abominação). Se os v.23-31
são lidos cronologicamente então do v.22-31 os poderes descritos são Romanos do
I ao IV século AD. Essa é a maneira que Uriah Smith enxerga o texto. Já William
Shea vê um intervalo do v.22 (tempo de Cristo) para o v.23 (Cruzados).
Para Shea os Cruzados da Idade Média é o poder principal do v.23 ao 39. Ele
não enxerga no entanto descrições cronológicas mas temáticas. O que é bem
distinto da maneira como as profecias em Daniel (2, 7, 8-9) foram proclamadas. A seção de Dan 11-12 não é uma visão mas uma descrição detalhada das visões
anteriores, assim justifica-se uma nova maneira de descrever o futuro. Shea
acha que o tema dos v.23-30 é a oposição militar de Roma Papal contra os santos,
o tema do v.31 é a subversão do sistema da salvação pelo mesmo poder Romano, os
v.32-34 foca na perseguição e o último bloco (v.35-39) destaca a exaltação
própria ou orgulho desse poder.
Se os v.23-31 são lidos cronologicamente então do v.22-31 os poderes descritos são Romanos do I ao IV século AD
Considero aqui apenas duas observações quanto a interpretação de Shea. Não
seria a oposição militar (v.23-30) uma perseguição aos santos (v.32-34)? A distinção
entre esses blocos parece legítima pois eles são mais resumos teológicos que
descrições históricas, mas eu colocaria esse resumo dos v.31-35 e não do v.32-34.
Outro ponto a ser refletido no esquema de Shea é que Dan 11 não se encaixaria no
estilo profético de Dan 2, 7 e 8-9 que vai do tempo do profeta até o fim
cronologicamente. Assim como o livro e Apocalipse com seus interlúdios.
Acho que a maneira de Smith é mais consistente e mais coerente com a história. Nesse método cronológico de interpretar as profecias de Daniel Smith consegue demarcar 508AD como um cumprimento profético do v.31. Shea vê o “diário” como a união entre a igreja e o estado no tempo dos Cruzados e não no tempo de Clovis (508AD) ou Justiniano (538AD) que encaixa no esquema de Dan 12:11,12 (1260 e 1335 anos).
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Será que Antioco Epífanes IV aparece em Dan 11?
Preteristas e futuristas enxergam esse déspota Greco-Seleucida, Antíoco
Epífanes IV como o inimigo central das profecias de Daniel. E em Dan 11 isso
não seria diferente, eles enxergam Antíoco IV do v.13 em diante. Historicistas
no entanto estão divididos quanto a interpretação dos v.13-20 e alguns nem acham
que Antíoco está na profecia.
William Shea vê Antíoco IV no v.14 e 15 até sua destruição pelos Romanos no
v.16. Urias Smith no entanto acha que o poder descrito nos v.13-15 é do seu
antecessor Antíoco o Grande III. Roy Gane tem um posição semelhante porém ele
acha que Roma deve ser inserida apenas no contexto do v.21. Assim para ele Antíoco
III é o poder descrito dos v.11-19.
Todos concordam que Roma definitivamente é o poder do v.21 sendo o v.22 já
no tempo de Jesus (I séc AD). Eles também concordam que o v.13 refere-se as
atividades de Antíoco III. Assim os v.14-22 possuem interpretações diversas no
meio Adventista. Enquanto Shea e Smith inserem Roma entre os v.15 e 16, Gane vê
a transição dos poderes Helênicos para os Romanos apenas nos v.21-22.
Interpretar profecias, ou identificar com precisão eventos históricos com
textos bíblicos é uma tarefa árdua. Requer bastante conhecimento da história e
preferencialmente do texto bíblico nas línguas originais. Quanto a esse texto
(Dan 11) a maioria dos intérpretes acham que as descrições dos reinos do norte
e do sul devem ser lidas no contexto do Povo de Deus (Israel). Como eles
interpretam profecia à luz da história é que deve ser melhor averiguada. E mais
atenção deve ser dada ao texto de Dan 11.
sábado, 12 de outubro de 2013
Quando Roma surge no cenário de Dan 11? (11:14-22)
No texto anterior expliquei uma das formas de tentar entender
cronologicamente Dan 11. Nesse texto explico um pouco mais sobre as razões
textuais para indentificar o poder Romano nessa profecia. Como já visto devemos
comparar Dan 11 com profecias de sequência histórica anteriores, como Dan 2, 7
e 8-9. Em Dan 11:4 temos os Persas
(8:20) seguidos pelos Gregos (11:3; 8:21) que são dividido pelos quatro ventos do céu
(11:4; 8:22).
O padrão de reinos continua em todas as visões. Em Dan 8 após a divisão da Grécia
entre os quatro ventos surge o chifre que começa pequeno e domina até os céus.
Ele é o centro da visão até o fim. Em Dan 11 após os quatro ventos surge os
reinos do norte e do sul guerreando entre si. Na história os quatro reinos após
Alexandre duraram por pouco tempo e apenas dois deles permaneceram até o
surgimento do império Romano. Eram os Seleucidas e os Ptolomeus.
Deve-se prestar atenção que o título "reino do norte" desaparece em Dan 11:16 e volta apenas no final (v.40). De Dan 11:16 apenas o rei do sul é mencionado contra
um “novo” poder introduzido no mesmo verso que provavelmente é o reino do norte
desde o v.15. Esse reino conquistará a “terra prazerosa” (algumas versões “gloriosa”)
que é mencionada em Dan 8:9. No Antigo Testamento essa terra é principalmente a
Palestina (Canaã). E o mesmo fará guerra contra o príncipe da Aliança
profetizado por Dan 9.
Após os Gregos surgiram os Romanos que conquistaram a Palestina, mataram a
Jesus e deram origem ao poder perseguidor que dura até o tempo do fim, em sua
forma pagã e religiosa. Portanto, baseado nesses paralelismos, acho que Roma é
introduzido no verso 15 como o reino do norte. Esse poder é o centro das
atenções até o final quando ressurge o reino do sul antes de Miguel
terminar a visão com a ressurreição dos justos (Dan 12).
E provavelmente as fases pagã e religiosa de Roma são distintas como em Dan
8. A divisão mais coerente é introduzir a segunda fase de Roma de Dan 11:31
visto que a profecia refere-se a profanação do santuário, a tomada do diário e
o estabelecimento da abominação desoladora como em Dan 8:11,12. Ou seja, desde
Dan 2 passando por 7, 8-9 a última visão sobre os poderes inimigos de Deus
foca mais sua atenção no último poder que mais afeta(rá) a obra de
salvação divina, Roma, que não terá sucessor até o reino dos céus.
Comunicação Divina: Assim como Deus começa com um panorama geral da história mas depois foca no mais importante, devemos também priorizar o reino que mais afetará nossa vida, o reino dos céus (Mat 6:33).
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Como estabelecer uma cronologia de Dan 11?
Daniel 11 não é um capítulo fácil de ser entendido. No entanto, como
profecia ela foi escrita com o intuito de revelar o desenvolver da história da
salvação. De acordo com a interpretação profética historicista textos claros devem iluminar passagens não tão claras. Neste
caso, para entendermos Daniel 11 devemos compará-lo com profecias anteriores no
próprio livro.
Por esse método comparativo pode-se
notar que todas as profecias apocalípticas (Dan 2,7,8-9,11-12) possuem
um esquema semelhante. Através de paralelos textuais claros o leitor atencioso
percebe pontos de referência ou pontos de transição histórica em Dan 11 à luz
de clara explicação em profecias anteriores. Por exemplo:
11:2 – Pérsia (Dan 8:20)
11:2 – Grécia (Dan 8:21)
11:3 – poderoso rei da Grécia (8:21 – Alexandre)
11:4 – espalhados para os 4 ventos do céu (8:22 –império de Alexandre
dividido em 4 seções)
11:16 – bela terra conquistada (bela
= Heb. tzebi 8:9 – império após Grécia [Roma] conquista
Palestina)
11:22 – Príncipe da Aliança será destruído (9:25 – Romanos “cortam” o
Messias Príncipe)
11:30 – Santa Aliança (9:27 – Jesus confirma aliança com verdadeiro Israel)
11:31 – profanação do Santuário, remoção do ‘diário’ e instituição da
abominação desoladora (8:11,12; 9:26,27 – desde o tempo de Jesus os Romanos
atacam o sistema de culto divino com abominações)
Vendo os paralelos acima podemos demarcar pontos históricos em Dan 11. A
sequência de reinos é a mesma de visões anteriores: Medo-Pérsia, Grécia, Roma
até o fim (11:35,40,45). A cronologia e o cumprimento histórico contínuo (do
tempo do profeta até o estabelecimento do reino de Deus) ainda prevalece em Dan
11. O paralelismo delineado acima ajuda o intérprete a demarcar claramente Dan
11 na história. Tais demarcações são explicadas pelo próprio livro (anjos).
A partir do esquema acima podemos explicar Dan 11 da seguinte forma: v.1-2
= Medo-Pérsia, v.3-15 = Grécia, v.16-22 = Roma até o tempo de Jesus Cristo,
v.31-12:1= Roma papal até o fim (cf.12:11). Tal esquema deve ser no entanto
refinado, principalmente os v.16-30, onde as descrições são semelhantes aos do
chifre “pequeno” de Dan 7 e 8. O que essas descrições sugerem é que apesar das
fases (pagã e papal) o poder Romano continua o mesmo como em Dan 8 (o chifre
“pequeno” é tanto Roma pagã como papal) e Dan 7 (chifre “pequeno” surge da
besta Romana).
O intérprete de profecias apocalípticas deve sempre ter em mente que textos
apocalípticos estão interessados em descrever “história sagrada” à luz do povo
de Deus. Assim o foco será eventos marcantes na história da redenção e não
detalhes exaustivos. Isso permite certo intervalo de tempo ou generalizações
cronológicas mas nunca grandes intervalos de tempo entre um poder e outro (como
no futurismo). Ao interpretar profecias apocalípticas deve-se procurar
atentatemente por padrões ou coerência contextual.
Comunicação divina: Deus é coerente não somente em Suas revelações mas em Sua obra de salvação explicadas nessas profecias.
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