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sábado, 7 de setembro de 2013

Qual a relação entre a revelação divina em Dan 11-12 e a revelação anterior de Dan 2, 7, 8 e 9? (10:14; 11:1-12:13)


A relação entre Dan 11-12 com o resto do livro é temática. A primeira relação é que enquanto Dan 2, 7, 8 são visões simbólicas, Dan 9, 11-12 não são visões mas interpretações ou descrições futurísticas por meio de um anjo. Mas, a estrutura histórica básica é mantida mais ou menos do tempo do profeta ao tempo do fim. Por exemplo:

11:2 – Persia (Dan 8:20);
11:2 - Grécia (8:21); 11:3 – poderoso rei da Grécia (8:21 – chifre proeminente – Alexandre o Grande);
11:4 espalhado pelos 4 ventos do céu (8:22 – reino de Alexandre espalhado em 4 seções;
11:16,41 – terra prazerosa (8:9 – poder após a Grécia [Roma] conquistando a terra prometida [Palestina]);
11:22 – Príncipe da aliança será destruído (9:25 – Romanos matam o Messias Príncipe [Jesus]);
11:30 – santa aliança (9:27 – Jesus confirma a aliança com o verdadeiro Israel);
11:31 – profanação do santuário, retirada do “diário” e a substituindo com a abominação desoladora (8:11, 12: 9: 26,27 – do tempo de Jesus os Romanos atacam o sistema de culto divino);

Outras similaridades:
Perseguição  - 7:25, 8:10, 11:32-34; 
Exaltação blasfemadora (7:8, 20, 25; 8:10-11; 11:35-39);
Selamento da visão (8:26, 12:4).
Revelação a beira de um rio e prostração do profeta mediante revelação (8:2, 10:4; 8:18, 10:9)

Assim, considerando essas demarcações textuais podemos entender na sequência de reinos de Dan 2,7 e 8 a mesma estrutura em Dan 11-12. Os reinos são da Medo-Pérsia, Grécia e Roma até o fim (11:35, 40, 45). A cronologia e cumprimento histórico contínuo do tempo do profeta até o estabelecimento do Reino de Deus no fim é seguida por todos esses textos. Os paralelismos entre Dan 11 e as outras visões ajudam o intérprete da profecia a ancorar demarcações claras em Dan 11 na história.

Perceba que essas visões apocalípticas são reveladas em progressão. Uma continua a outra revelando mais detalhes. Dan 2 é um panorama geral, 7-11 são detalhamentos desse panorama onde Deus achou importante explicar para Seu povo.

Comunicação divina: A mensagem é que reinos perseguirão o povo da aliança mas no final desse período de provação o Príncipe da Aliança salvará Seu povo.

sábado, 31 de agosto de 2013

Quem são os príncipes de Dan 10?


Há um impasse interpretativo para alguns sobre a identidade dos príncipes que lutam contra (resistem) Gabriel e Michael: são seres espirituais (anjos caídos) ou seres humanos? Se for humanos os candidatos desse período são Ciro, seu filho Cambises II (que é mencionado em Profetas e Reis 572). De acordo com Ellen G. White Cambises II reinava quando “a obra no templo progredia devagar” (Dan 9:25?). Como a visão é dada no terceiro ano de Ciro (c.555BC) e Cambises reinou após Ciro essa leitura acima requer possivelmente um tipo de co-regência ou alguma influência política na região da Palestina já no período da visão.

Assim, se os príncipes da visão são seres humanos isso quer dizer que líderes seculares são responsáveis por interromper o trabalho e Deus via restauração de Jerusalém de alguma forma como descrito no livro de Neemias e Esdras. Em Dan 11 os reis do norte e do sul representam figuras humanas, o que pode indicar que Dan 10 também retrate figuras humanas. Apesar da palavra sar or nagid (principe) não ser usado para Daniel ele é também considerado um líder político (Dan 3, 6).

Se sar (príncipe), usado em Dan 10, é o título de poderes espirituais eles devem ser anjos associados a monarcas Persas que influenciaram a  história do povo de Deus. O Messias é chamado de príncipe (Heb. nagid) em Dan 9. Visto que o Messias é Michael (miguel), um ser angelical em Daniel, existe um precedente no próprio livro para que Dan 10 retrate seres espirituais (anjos). Nesse caso o foco é uma batalha mais espiritual relacionada a restauração de Jerusalém e do templo. Relacionados a isso temos as profecias de Daniel 8 e 9 que é referida em 10:1 (mareh [visão], tsava gadol  [grande exército]).

Eu creio que há verdades em ambas as possibilidades. Me parece que os “príncipes” da Pérsia e Grécia são primariamente poderes espirituais que influenciam líderes pagãos (humanos). (ver II Reis   ; Ez 28; Is 14; Zec 3) Esses textos sugerem que existe um grande conflito onde humanos e anjos estão envolvidos em forças espirituais e físicas. Elas não se excluem. Luta espiritual é bem física. Assim não posso identificar esses seres em Dan 10 especificamente.


Comunicação divina: Essa talvez seja a principal lição do texto. O foco não está nas forças do mal sejam elas espirituais ou humanas (ou ambas). Sua mensagem é que os inimigos do povo de Deus serão vencidos por Miguel. O importante é a identidade e obra de Miguel e não dos inimigos “sem nomes”. 

sábado, 13 de julho de 2013

Quem são os “príncipes” do reino da Pérsia e Grécia, e o que está acontecendo em Dan 10?


Em Daniel 10:13,20,21 há a referência  de príncipes (Heb.sar – palavra de influência Persa). Como o vocábulo é comum para referir a um líder, que tipo de líderes são esses? O contexto mostra que esses “príncipes” da Pérsia estão lutando contra Miguel o príncipe de Deus. Então temos um ser celestial nessa luta.

Em Daniel 9 “o homem Gabriel” (Heb. haish) conforta o profeta e lhe dá entendimento sobre a visão do capítulo 8. Em Dan 10:1 o ambiente é o mesmo, uma visão acerca de um grande conflito, o profeta fica perplexo e Deus dá entendimento a Daniel. Então podemos inferir que Gabriel é o mesmo ser que aparece em Dan 10 cumprindo a mesma missão.

O primeiro ser é um “homem” (Heb.ish – v.5) com aparência celestial como o ser em Ezequiel 1 e Apocalipse 1, que é Jesus Cristo. A mesma reação ocorre com todos os três profetas perante tal ser – como uma teofania (manifestação divina) eles prostram como mortos (Dan 10:9,17; Ez 1:28 e Apoc 1:17; ver também Isa 6). O segundo ser em Daniel 10 vem para encorajar Daniel e fortalece-lo, como Gabriel o fez no episódio anterior (Dan 9:21-23; 10:11,12). Note que Gabriel é um ser distinto de Miguel que é referido por ele como um poderoso príncipe.


No texto de Dan 10 a ênfase está em Miguel. Há um contraste entre a interjeição hineh (Eis) Miguel e hineh (Eis) o príncipe da Grécia (v.20). A mensagem do anjo é que apesar da inimizade desses príncipes da Pérsia e Grécia (que viriam), Miguel “seu príncipe” defenderá Seu povo assim como Ele defendeu o próprio Gabriel (v.21). Mas então, quem são os príncipes da Persia e Grécia? (próximos texto)

sábado, 6 de julho de 2013

A que(m) se refere a “desolação” em Daniel 8:13, 9:27, 11:31 e 12:11?


Primeiramente é importante notar que a expressão “desolação” (Heb. shomem) está no particípio o que funciona como um substantivo. Ele é qualificado nesses textos por “destestável” (Heb. shiqutz - 9:27, 11:31 and 12:11) e “transgressão” (Heb. pesha’ - 8:14). Portanto, o que é certo no próprio livro de Daniel é que shomem é algo negativo para Deus e Seu povo. E está relacionado com quebra dos mandamentos divinos.

No Antigo Testamento shiqutz (destestável) ocorre mais vezes nas acusações proféticas contra idolatria. Fora dos profetas a reação divina é a mesma contra idólos (Deut 29:16, I Rs 11:5,7, II Rs 23:13, II Cr 15:8) ou tudo que involve um estilo de vida pagão (II Rs 23:24). Estilo de vida idólatra inclui principalmente imoralidade sexual (Jer 13:27, Ez 20:30). Em Ezequiel é prometido durante o cativeiro Babilônico que Deus purificará (Heb. taher) tais impurezas de Israel ao traze-los de volta para Jerusalem (37:23).

Daniel se enquadra bem nesse contexto de idolatria, impureza e purificação do povo de Deus. De acordo com essa visão haverá(ria) um poder na história que, semelhante aos povos inimigos de Israel antigo, traria abominações através de sua religião pagã e estilo de vida contrário aos mandamentos divinos para dentro de Israel.

Jesus em Sua mensagem profética no monte das Oliveiras (no vale de Josafá – vale do juízo em Joel) refere-se a tal poder vindo sobre Jerusalém nos dias dos discípulos num futuro próximo de Sua morte (Mat 24:15). Esse poder trouxe a destruição de Jerusalém e do templo no ano 70AD. Com Tito os Romanos extinguiram a rebelião dos Judeus que centralizaram sua influencia politico-religiosa no Templo. Portanto, Jesus sugere que os Romanos cumpriram o papel do poder abominável.

Certamente os Romanos era pagãos idólatras, e seus estandartes militar representavam deuses, e eles perseguiram o povo de Deus (Judeus e Cristãos). Mas a dimensão da visão de Daniel 8 vai além do tempo de Cristo no I AD. E o mais importante em Daniel 8 é que o ataque desse poder atingiria o santuário de Deus nos céus. O Novo Testamento ensina que após a cruz o centro de atividade liturgica e salvífica divina ocorre(ria) no santuário celestial (ver principalmente Hebreus e Apocalipse). Portanto Roma no tempo de Cristo cumpre apenas parte da inimizade descrita pelo chifre em Daniel 8.

Em Daniel 7 e Apocalipse 12, 13 e 17 tais profecias mostram que haveria um poder que sairia de Roma e teria características religiosas em semelhança e oposição ao culto divino verdadeiro. Esse poder é até representado por uma mulher que é o símbolo do povo de Deus (Apoc 12 e 17). Mas não uma mulher pura, mas uma prostitua impura cheia de abominações relacionada a idolatria e imoralidade sexual. E finalmente, esse poder continuaria após o império romano até a purificação divina ou juízo final. Tais características só se encaixam com uma instituição na história. Roma que se diz Cristã mas na verdade está cheia de impurezas e transgressões aos mandamentos divinos. (ver http://rodrigogaliza.blogspot.co.il/2013/01/atacando-o-santuario-e-os-santos-parte-2.html)

sábado, 22 de junho de 2013

Quem é o “príncipe que há de vir” e qual diferença faz em como interpretá-lo? (Dan 9:26)

Já vimos que em Israel reis, profetas e sacerdotes eram ungidos, e Jesus também foi de acordo com o NT cumprindo a função dos três. No Adventismo há pelo menos duas interpretações acerca do “príncipe”. Uma linha (e.g.William Shea) interpreta o príncipe como Jesus nos versos 25 - mashiah nagid (príncipe ungido) e 26 – mashiah (ungido). Consequentemente ‘am nagid haba’ (povo do príncipe a vir) é identificado como sendo os Judeus no tempo de Jesus Cristo.

Enquanto isso, Roy Gane  interpreta o nagid (príncipe) do v.26 como  Tito, o general/imperador Romano. Esse líder pagão “viria” (haba’) para “destruir a cidade e o santuário”. Assim o ‘am nagid haba’ (povo do príncipe a vir) deve ser os Romanos. Para Gane o ungido do v.25 não é o mesmo do v.26. Como Shea, Gane também interpreta v.25 como Jesus Cristo.

A diferença nas interpretações é o ponto de conexão do v.26. Enquanto Shea enfatiza a conexão do nagid com o verso anterior, Gane enxerga uma maior conexão com a destruição descrita no verso a ser executada por esse nagid. Que Jerusalém foi destruida pelos Romanos em 70AD não é questionado. As implicações são as seguintes: para Shea a destruição da cidade e do Santuário são resultados dos pecados de Israel; para Gane o focus da destruição é removido dos Judeus para os Romanos.

Em Daniel 10 forças espirituais que influenciam os reis pagãos são descritos como príncipes, mas nesse capítulo a palavra sar e não nagid é usada (Dan 10:13, 20). Essa mesma palavra também qualifica Jesus. Ele é identificado como hasarim ha rishonim (o principal/primeiro dos príncipes – v.13). Portanto, em Daniel a terminologia de “príncipe” pode ser tanto um poder divino ou contra Deus.

O interessante é que em Daniel 10 os “príncipes” são seres espirituais – não criaturas humanas (Jesus ou demônios). Se isso for aplicado a Daniel 9 a interpretação do nagid como Tito deve ser revista. Outra ideia que sugere a coerência argumentativa de Shea é Dan 11:22, onde a expressão nagid berit (príncipe da aliança) é usada, e eles concordam que nesse caso o texto fala de Jesus Cristo.

Não ignoremos porém o argumento de Gane acerca de Dan 9:25-27. Ele enxerga um paralelismo ABABAB onde a primeira parte (A) descreve atividade de Jesus e a segunda (B) a destruição. Isso significa que o príncipe deve ser colocado na seção B com a destruição separada das atividade Messianicas. Para ele isso é coerente com o esquema das visões em Daniel 7 e 8 onde o poder assolador (que destrói) é sempre o inimigo de Deus (chifre que começa pequeno) representado por Roma que persegue Jesus e Seu povo. Assim, Tito como o principe dos Romanos se encaixa perfeitamente nesse esquema.

sábado, 8 de junho de 2013

Por que as 7 semanas foram destacadas das 70? Qual o significado desse período e seu cumprimento? (Dan 9:25)


O texto das 70 semanas tem uma forma poética em Hebraico o que pode sugerir apenas uma forma alternativa literária de expressar tempo. A forma de tempo usada pelo anjo é diferente e única. William Shea acha, no entanto, que há um significado histórico-profético nessa semana. Ele relaciona a primeira semana com a ideia final do verso – o “tempo de angústia” quando Jerusalem foi reconstruída (Esd 4 e Neemias). Mas mesmo o Shea reconhece que não há dados históricos para determinar tal evento.

Roy Gane no entanto acha que não devemos enxergar algo histórico (visto que não temos comprovação histórica). Ele sugere que a separação das semanas faz uso da linguagem do Jubileu (Lev 25). O ciclo de 7 semanas é um Jubileu (49/50 anos). Daniel 9 tem um Jubileu multiplicado por 10 (490 = 70x7 ou 49x10) o que indicaria sua maior importância. Gane sugere que a importância é sua aplicação para toda a nação de Israel ao invés de indivíduos em Israel. Se eu entendi corretamente sua explicação creio haver problemas nessa aplicação a Israel, mas sua ideia geral de interpretação soa coerente.


Não podemos ignorar que tal explicação (Gane) não anula a possibilidade de um cumprimento histórico como o Shea sugere. Falta de evidência histórica não dever ser motivo para ignorar tal interpretação. Haja vista a última semana que se refere a cruficixão de Jesus e o apedrejamento de Estêvão, datas ainda hoje debatidas e com pouca (ou nenhuma) documentação precisa.  A lógica é que o anjo está dando já a chave de interpretação de como interpretar a profecia. Assim, não dependemos de algo que talvez nunca tenha acontecido em 408 AC.

sábado, 1 de junho de 2013

Quando o decreto para restaurar e reconstruir Jerusalem ocorreu? Quem decretou? A profecia refere-se ao tempo que o decreto foi ordenado ou cumprido?


Em Dan 9:25 o anjo diz que ao motza’ dabar (Heb. “sair a palavra”, “for decretado”) as 70 semanas começariam. Motza’ vem provavelmente do verbo ytzr (Heb. “come out, go”). Se ele for conectado com a pergunta de tempo (ad matay – até quando?) em Dan 8:13 a expressão indica a relação entre as 2300 tardes e manhã e as 70 semanas. Desmond Ford sugeriu que lhshyb (Heb. “voltar, trazer de volta”) se refere ao retorno dos Judeus de Babilônia descrito no cilindro de Ciro o rei persa, cerca do ano 520 AC (Esdras 1).

Esdras 6:14 parece interpretar Daniel 9 diferentemente e mais tarde. Roy Gane argumenta contra Ford e sugere que a expressão lhshyb vlbnt (Heb. “trazer de volta e reconstruir”) tem como objeto direto Jerusalém. Em sua pesquisa sobre a forma verbal hifil de shb (Heb. “retornar”) ele descobriu que esse verbo é usado em contexto de restauração política, o que o decreto de Ciro não ordena, visto que Jerusalem continuou como cidade dependente da Medo-Persia. Assim ele sugere que apenas o decreto de Esdras 7 se encaixa na intenção de Dan 9:25.

De acordo com essa interpretação Esd 6:14 descreve o decreto que restaura Jerusalem começando com Ciro mas que finalmente foi implementado com Artarxerxes I (Longimanus). Esse decreto é descrito em Esd 7 e sugere uma restauração política de Jerusalem mais plena como contempla Dan 9:25. O argumento de Gane é que o significado de motza’ é semelhante ao de dabar ytzr em Est 1:19, 3:15 e 7:8 que descreve um processo e não apenas um dia específico. Então para ele o “dia do decreto” é quando ele foi implementado, ou seu período final, o que no caso do decreto de Artarxerxes é Esd 6:14. Esse mesmo texto diz que o decreto procede de Deus e não apenas de Artarxerxes.

Se a resposta de Gane for adotada vemos que profecias de tempo em Daniel precisam datas (especificam um tempo) apenas ao sugerir um período ou processo histórico mais longo. Por exemplo, nos períodos de 1260 e 1290 dias-anos interpretado pelos Adventistas como aplicando a relação igreja-estado do império romano na época de Justiniano. Um de seus decretos foi “promulgado” em 533AD mas apenas implementado ou posto em prática em 538AD. E Clovis se “converteu” em 501AD mas apenas em 508AD ele foi batizado  e removeu os inimigos “hereges” apenas anos depois. Assim, qual data usar para determinar o início desses períodos proféticos?

Minha impressão é que as profecias apocalípticas indicam eventos precisos como demarcadores de processos históricos mais importantes que é o objetivo da profecia. Assim como no estudo da história marcamos períodos e transições com datas precisas mas isso não sugere que uma era acabou e outra começou de um dia para o outro (e.g. Idade Media à Modernidade à Pós-modernidade). Assim também nesses grande períodos proféticos. E acho que essa maneira de interpretação profética historicista deveria ser aplicada na interpretação do tamid.