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sábado, 25 de maio de 2013

O que significa “ungir o santo dos santos”. Quem faria isso e como? (9:24)

A unção é um evento importante nas 70 semanas de anos em Daniel 8-9. O anjo conecta a unção com o término da transgressão, o fim da iniquidade e o estabelecimento da justiça eterna. A linguagem soa como as promessas da vinda do reino de Deus que trará(ria) livramento do pecado. Como parte desse plano divino de libertação está a unção do qdsh qdshym (Heb. “santo dos santos ou santíssimo”).

Em Dan 9:25-27 o “ungido” será removido (Heb.krt), fará cessar as ofertas no santuário e confirmará a aliança. De acordo com a interpretação Cristã predominante o “ungido” é Jesus chamado “Ungido” (Grego – “Cristos”, Heb. “Meshiah”). No NT os apóstolos repetidamente referem-se a unção de Jesus em Seu batismo. No evangelho de Marcos há um paralelismo entre o batismo de Jesus (Mar 1) e sua crucifixão (Mar 15): duas figuras de Elias, “partido/cortado” (apenas em 1:10 e 15:38 – referência a krt??), expiração relacionado a Jesus (espírito), Jesus reconhecido como “Filho de Deus”.

O paralelo é reforçado em Mar 10:38-39 quando Jesus pergunta se Seus discípulos poderiam ser “batizados” com o batismo de sofrimento (ou sangue) ainda a ocorrer (futuro – Cruz). Paulo também em Romanos 6 interpreta o batismo de Jesus com a sua morte, e o próprio Jesus sugere isso em João 3 para Nicodemos (morte e vida nova do espírito como um batismo).

No Antigo Testamento a unção do qdsh qdshym (Heb. “santo dos santos ou santíssimo”) é a dedicação do  santuário. No AT o santuário era ungido com óleo e sangue. Não apenas os utensílios do tabernáculo como os sacerdotes era ungidos na ocasião de sua inauguração aos serviços da salvação (Lev 8-9). O livro de Hebreus diz que Jesus  veio para estabelecer a verdadeira ministração no verdadeiro santário (no céu) que foi prefigurado pelo santuário Mosaico. Na mesma maneira as coisas celestiais deveriam ser “ungidas” (Heb 9).

Lembrando que o santuário era a habitação de Deus com a humanidade (Exo 25:8-9) podemos entender a relação entre o santuário e pessoas ungidas no Antigo Israel. Sacerdotes, reis e profetas eram ungidos. Eles eram representates de Deus, podemos dizer, a presença de Deus entre os homens. Jesus declarou ser a presença de Deus entre os homens (o próprio Deus em carne – Evangelho de João; especialmente cap.1-2 e 5-6). Ele funcionou não só como um profeta, mas como Rei e mediador-sacerdote.

Assim, Jesus Cristo começou uma nova ministração no santuário, a verdadeira prefigurada por Moisés. Creio que dessa forma a “unção dos santos dos santos” em Dan 9:24 deve ser interpretada de uma maneira ampla como a nova fase no plano da salvação com a ministração direta de Jesus Cristo como templo e sacerdote – o verdadeiro no céu. Começando com Seu batismo, seguindo à Cruz e subindo ao céu onde Jesus inaugurou o verdadeiro tabernáculo para interceder pessoalmente perante o Pai (Apoc 4, Atos 2 e Heb 8).


Comunicação divina: a unção divina é o envolvimento íntimo de Deus em nossa salvação. Jesus é o Cristo – o Ungido de Deus, o único que pode nos salvar, e tudo isso já estava nos planos dEle desde os tempos antigos – eu e você.

sábado, 18 de maio de 2013

O que o anjo quis dizer com a expressão “purificar” (Heb.nsdq) o santuário?



O verbo nisdaq tem um significado abrangente bem usado no contexto de julgamento. Na forma nifal (que aparece em Daniel) ele tem o sentido amplo de “justificar, vindicar, corrigir, reabilitar”. Como ele foi usado nessa forma apenas aqui em Daniel seu significado preciso é difícil de determinar. Comparando com sua tradução grega na LXX (Septuaginta – tradução Judaica do Antigo Testamento no II séc AC) vemos que os judeus entenderam esse verbo como kataristhesetai (Gr. “tornar limpo, purificar”).

Esse significado amplo de purificar-limpar-justificar é encontrado no sistema judicial religioso de Israel no santuário. No livro de Levíticos os rituais prescritos por Deus mostram que impurezas morais e físicas estavam relacionadas. Ofertas era oferecidas para expiar (Heb. kipper) ambos os tipos de impureza. Nos rituais do santuário Israelita purificação era justificação. Como hoje alguém que faz algo ilegal tem o nome "sujo".

O leitor moderno deve entender a razão cultural pra tal associação. Religião no Antigo Oriente permeava todos os aspectos da vida. Assim, visto que Deus era o ser perfeito, qualquer variação do padrão divino era considerado pecado-impureza-doença. Assim doenças era consideradas maldições que Deus poderia resolver no contexto do santuário. Os israelitas traziam suas impurezas através de ofertas e transferiam para o santuário, para Deus. Assim podemos dizer que a casa de Deus funcionava como uma esponja de sugava a sujeira dos Israelitas.

Visto que Dan 8 possui linguagem do santuário especialmente aludindo ao ritual do Dia da Expiação é importante notar que esse dia era o dia do juízo final. Durante todo o ano o santuário recebia as impurezas dos israelitas, mas havia um dia que a casa de Deus era limpa de suas impurezas. Era nesse dia que os pecados eram purificados do santuário e consequentemente dos que depositaram eles ali em primeiro lugar (Lev 16). 

Nesse ritual todos era purificados, justificados – Deus, o santuário e os arrependidos. Essa linguagem de purificação também é encontrada em Jó 4:17 e 25:4 onde o verbo tsdq (Heb. “justificar”) é sinônimo com thr (Heb. “puro”) ou zkh (Heb. “limpo”). Note que em Lev 16:30 o objetivo final do ritual da Expiação era tornar o pecador thr (limpo).

Assim quando o anjo menciona que o santuário será “purificado” ele está aludindo ao objetivo final do plano da salvação divina. Até então os pecadores têm depositado seus pecados em Deus via Cristo (e.g. I Jo 1:9; Rom 5-6; Jo 1:29; II Cor 5:21) mas há um dia que o santuário será purificado. Em Lev 16 é descrito que nesse dia o arrependido era purificado e o não-arrependido (que se apegou ao seu pecado) era destruído (Lev 23:29,30). E Daniel informa quando esse dia começa, em 2300 dias-anos.

Comunicação divina: o juízo divino mostra que um dia todo o pecado será destruído e quem estiver apegado a ele também. Se apegue a Jesus e deixe Ele te purificar.

sábado, 27 de abril de 2013

Qual o significado da expressão “tarde(s)-manhã(s)”? (v.26 – “as tarde(s) e manhã(s))



O uso de ereb-boqer (tarde-manhã) é comum para expressar tempo no Antigo Testamento. Pela primeira  vez ela é usada em Gen 1 explicando temporalmente os primeiros dias (heb.yom). Ela não possui uma forma fixa, mas é usada tanto  na sequencia ereb...boqer (tarde-manhã) como boqer...ereb (manhã-tarde). Visto que no contexto de Daniel essa expressão é para qualificar os rituais do santuário é importante entender como essa ela foi usada nesse contexto.


Em Exo 27:21 Moisés é comandado a ordenar os sacerdotes a manter a lâmpada do tabernáculo acessa mereb ad boqer...olam (heb. desde a tarde até a manhã...para sempre). Quando lemos o registro dessa atividade em Lev 24:3,4 a expressão mereb ad boqer (heb. desde a tarde até a manhã) é associada com tamid (continuamente) e olam (perpetuamente, para sempre). Em Dan 8:14 a preposição ad (até) vem antes da descrição de tempo. Mas creio que não podemos ignorar a conexão com essa ministração diária no santuário, especialmente porque a expressão tamid é mencionada em Dan 8.

A expressão ereb boqer com a preposição ad (até) e o advérbio tamid (diário) também é usada em Num 9:15-16,21 com referência a presença de Deus numa nuvem e pilar de fogo guiando Israel. Há uma conexão temática entre a lâmpada sempre brilhando no santuário e a presença de Deus no pilar/nuvem iluminando os passos dos Israelitas.

Acerca de mais uma referência ao tamid (Num 28 e 29, Exo 29:38-46 e Lev 6:8-13) percebe-se a conexão entre sacrifício contínuo ou holocaustos (‘olat hattamid) e Daniel 8. Nessas passagens os holocaustos consistem de 2 cordeiros que são uma unidade oferecidas no santuário pela manhã e pela tarde (Num 28:4- boqer...ereb). Apesar da inversão da expressão presente em Daniel 8 esses textos mostram que a expressão ereb ...boqer é usada no contexto do ciclo do culto no santuário. Esse ciclo é referido com outros termos layla ad boqer (noite até manhã – Lev 6:9; MT v.2), dia e noite (yom vlayla – Num 9:21).

Isso sugere que o ciclo da criação é usada nos rituais do santuário Israelita e tais expressões denotam um serviço de salvação constante. Deus opera constantemente/diariamente pela salvação da humanidade. O exemplo da luz  (pilar e candelabra) e dos sacrifícios no tabernáculo ensinam essa constância. Ou seja, em Daniel 8 há uma transição da ministração diária para o dia do juízo - que era o ritual anual da expiação num único dia (Lev16 e 23)– após 2300 dias (tardes e manhãs)-anos.

sábado, 6 de abril de 2013

9) As 2300 “tardes-manhãs” cobrem qual parte da visão visto que a pergunta do santo no v.13 menciona apenas o final dela?


Dan. 8:13 é uma pergunta de um santo acerca da visão até então revelada ao profeta. Um santo pergunta, até quando? E os elementos mencionados na questão refere-se as coisas vistas anteriormente (v.10-12), que é a culminação da visão. Isso não significa que a pergunta, e consequentemente o tempo da resposta (v.14), se limita ao final.

A questão do santo é sobre a hazon (visão) que é o todo visto por Daniel, como bem explicado pelo anjo e o próprio Daniel (v.1, 17, 26). No entanto o que a questão levantada pelo anjo realça é o ápice da visão. Por isso a relação entre o v.13-14 com os v.10-12 são fortes. A ênfase da visão é o ataque religioso do “pequeno” chifre. 

Como em Dan.7 o foco também foi o último poder inimigo de Deus (o animal terrível e espantoso de onde sai um chifre “pequeno”). Poderíamos até dizer que as outras bestas/animais ou chifres são apenas contexto para que o leitor preste atenção no que realmente interessa – a identificação precisa do último poder satânico e sua contrafação do sistema de salvação divina.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O que é o hattamid (“regularidade”, “diário”)? (Dan 8:11-12)


Textualmente a referência ao hattamid (o contínuo) é ao serviços do santuário. O advérbio com artigo (como aparece em Dan 8) ocorre 24x no Antigo Testamento sempre qualificando outro vocábulo. Seu significado básico é “contínuo, regular, sem interrupção”. Com excessão de Neemias 10:34 onde ela ocorre duas vezes em referência ao minha (oferta de grãos) e o olah (holocausto – oferta de animal), todas as outras referências fora de Daniel estão em Num 4, 28 e 29. 

Devemos lembrar no entanto que em Daniel esse advérbio encontra-se sozinho, sem objeto a qualificar, o que torna sua interpretação controvertida. Mesmo assim veremos quais as coisas que o advérbio tamid mais qualifica nessas passagens do Antigo Testamento.

Em Num 4:7 tamid qualifica o pão da proposição que permanecia continuamente no templo perante o Senhor. Em Num 4:16 tamid qualifica apenas a oferta de grãos (minha) que deveria ser oferecida continuamente no templo. Em Num 28 e 29 tamid refer-se apenas ao holocausto (olah) em conexão com as festas santas, os sábados (semanais e mensais). O olat hatamid (holocausto contínuo) no entanto é contrastado com ofertas especiais dessas celebrações. Isso porque as ofertas qualificadas tamid eram aquelas regulares oferecidas todos os dias pelos sacerdotes no santuário.

O que essa informação indica é que hattamid por si em Daniel deve/pode referir-se aos trabalhos diários dos sacerdotes no tabernáculo. Outra informação que nos ajuda entender o hattamid é a expressão ereb-boqer (tarde-manhã). Ela ocorre em Lev 24:3 junto com o advérbio tamid (sem artigo) referente aos serviços contínuos dos sacerdotes para manter a chama do candelabro sempre acessa. 

Assim, quando Dan 8:14 e a purificação do santuário anual é contrastada com o serviço contínuo do santuário um notamos que o “chifre pequeno” tenta destruir os serviços diários de salvação no santuário celestial, mas Deus estabelece um dia de juízo (Expiação) para destruir os que desobedecem.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Como pode o “chifre pequeno” afetar o povo e as coisas que pertecem ao céu? (Dan 8: 10-13)


A visão de Dan 8:10-13 representa o poder inimigo a Deus que ataca o Seu santuário, as hostes celestiais e joga a verdade por terra. Como pode um poder terrestre afetar as esferas celestiais? Primeiramente, essa questão não deve ser mal-interpretada e sugerir uma separação completa de ação entre o divino e o humano. De acordo com as Escrituras a esfera divina se relaciona com a humana. 

Diferente do dualismo platônico adotado pelo Cristianismo na Idade Média (como vimos anteriormente), o Deus da Bíblia criou no tempo e no espaço e agiu (age) na criação. Deus falou com Moisés face a face, manifestou-Se aos  Israelitas no monte Sinai, habitou numa nuvem no tabernáculo falando com eles. Jesus como Deus-homem andou entre os homens e se envolveu intimamente com a criação. Assim as Escrituras ensinam que a esfera celestial está intimamente relacionada com a terrestre.

De importância particular nessa discussão sobre presença e ação divina em Daniel está o santuário. O santuário é a habitação de Deus entre os homens (Ex. 25:9). Jesus é a presença de Deus entre nós e o tabernáculo (Jo.1:1-14; Mat 1:23). Como no serviços do tabernáculo onde os pecadores transferiam seus pecados para o templo, assim Jesus tomou sobre Si os pecados do mundo na Cruz morrendo pela humanidade caída (Is.53; Rom 5-7 e II Cor 5:21). Após a ressureição e assunção de Cristo ao céus, os pecadores estão representados em Cristo no santuário celestial (Ef. 2:6; Heb 2:17-18; 4:15). É nessa maneira que os pecados afetam as atividades celestiais e seus seres.

Em Daniel 8 o “chifre pequeno” ataca os “exércitos dos céus” e o santuário, mas como? Se as hostes celestiais forem o povo de Deus (v.24 – sendo tanto anjos como humanos, ou apenas humanos) o texto afirma que esse inimigo os destrói de certa forma. As Escrituras descrevem como os seres humanos criados a imagem de Deus foram atacados na história. Ela também ensina que a Igreja (Seu povo) é sua esposa ou Seu próprio corpo, significando uma forte identificação (I Cor 12:14). Assim, quando o povo de Deus sofre Deus sofre. Como um pai que toma as dores de seu filho assim Cristo padece e intercede pelos Seus (Heb 2:14-18;4:14-16).

Por exemplo, na estrada de Damasco quando Paulo perseguia os discípulos de Jesus, Cristo apereceu a Saulo dizendo que quem estava sendo perseguido era o próprio Jesus (At.9:5). Em Sua oração ao Pai Jesus afirma que assim como o Filho e o Pai são unidos, a humanidade e Jesus também são um (Jo. 17). Por essa razão Jesus ensinou que quando um pobre é ajudado Ele mesmo é ajudado (Mat 25:40).

Sobre a relação entre o santuário celestial e a terra há outra dimensão cujo o “chifre pequeno” pode atacar o santuário e as hostes em Dan 8. Visto que a linguagem desse capítulo é tomada dos rituais do santuário, principalmente do dia da expiação (Lev 16), uma examinada nesse ritual nos ensina outra faceta do ataque satânico. De acordo com Lev 20:3 e Num 19:13, 20, há duas formas na qual o santuário era contaminado, a idolatria e contaminação com cadáveres não purificada. Caso os envolvidos não se arrependesem e ignorassem a salvação do Senhor eles sofreriam julgamento divino pois haviam rejeitado o próprio Deus.

Assim, ao ignorar a salvação divina no santuário (serviços diário) e ao estabelecer abominação da idolatria o “chifre pequeno” polui a morada de Deus. Isso é demonstrado no livro de Ezequiel quando Judá poluiu a habitação divina em Jerusalém por meio de contaminação do cadáveres, imoralidade sexual e idolatria (Ez 10-20). Tais ações fizeram com que a glória de Deus (Sua presença) deixasse o templo que foi contaminado. A consequência física foi a destruição de Jerusalém e do templo pelos Babilônicos.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Qual o significado da mudança de gênero em Hebraico em referência “chifre pequeno” e seus referentes em Dan 8:9-12 para identificação desse poder na história?


É verdade que há uma mudança de gênero (feminino e masculino) nos v.9-12 nos vocábulos referentes ao chifre pequeno. Em hebraico verbos, substantivos, adjetivos e pronomes possuem gênero. Por exemplo, se um verbo possuir terminação feminina ele concorda com o sujeito feminino mais próximo, o que não ocorre em português visto que o verbo não tem gênero. Vamos identificar então os gêneros nos versos 9-12.

v.9 – YATZAR – verbo masculino “sair, ir”; QEREN – substantivo feminino “chifre; VATIGDAL – verbo femino “crescer”
v.10 - VATIGDAL – verbo femino “crescer”; VATAPEL – verbo feminino “cair”; VATIRMESEM – verbo feminino “pisar”
v.11 – HIGDIL – verbo masculino “crescer”;  VeHOSHLAQ – verbo masculino “ser atirado”; [HURAN – verbo masculino “ser exaltado”]
v.12 – TINATEN – verbo feminino “foi dado”; VeTASHLECH – verbo feminino “jogado, lançado”; Ve’AShTAh – verbo feminino “fazer”; VehITZELIHAh – verbo feminino “prosperar”

O v.9 começa com um substantivo plural masculino junto de um verbo masculino e finaliza com substantivo feminino e um verbo no feminino. No v.10 há 3 verbos femininos e no v.11 há 3 masculinos. No v.12 são 4 verbos no feminino. Há aqueles que argumentam que a mudança de gênero ajuda identificar diferentes agentes na visão, mas como isso determina quais são esses agentes ainda continua em debate.

Muitas propostas foram feitas no Adventismo. Por exemplo, o “exército” no v.10 age no feminino enquanto o “exército” no v.11 age no masculino o que também identifica um novo poder na visão. E no v.12 a ação volta para o feminino. O que todos os intérpretes Adventistas aparentemente concordam é que a mudança do gênero marca uma transição de poder, nesse caso o texto indica uma mudança de poder dentro do império Romano.

Um dos intérpretes, Jown Peters, argumentam que o quiasmo (estrutura literária) e gênero dos verbos e substantivos identificam diferença de poder nos v.10à12 e v.9à11. Enquanto Martin Proebstle argumenta que a identificação é v.9a-11 e v.9b-10 ignorando o v.12. Gehard Hasel e William Shea também encontraram uma estrutura literária e divisão histórica do texto diferente nesses 4 textos. Ambos argumentam que a mudança de gênero identificam Roma papal e pagã.

Como essa identificação histórica deve deve ser feita a partir de gêneros textuais ainda é dificíl determinar. Portanto, a importância do gênero no texto não deve ser levada ao ponto de fundamental importância para interpretação profética. Parece que essa análise sintática do texto profético parece não resolver o problema de identificar dois poderes distintos do chifre em Daniel 8 até que fatos históricos sejam relacionados com a interpretação do texto.