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sábado, 7 de agosto de 2010

REVELAÇÃO em Ellen G. White e na teologia Emergente

Introdução

A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) tem como base de todas as suas crenças e práticas as Sagradas Escrituras.[1] E por essa razão, a compreensão do tema da Revelação e temas relacionados, tais como Inspiração, é de grande importância, visto seu efeito sobre as demais áreas da teologia como o Adventismo compreende.[2] Mas o fato é que dentro do Adventismo não há uniformidade acerca do assunto.[3]

Entre as muitas opiniões, a organização da IASD tem uma posição clara sobre Revelação, como encontrado no Nisto Cremos, no Manual da Igreja e no Handbook of Adventist Theology. Ela considera as Escrituras como a “escrita Palavra de Deus, dada por divina inspiração através de homens santos de Deus que falaram e escreveram ao serem movidos pelo Espírito Santo. Nesta Palavra, Deus confia à humanidade o conhecimento necessário para a salvação. As Santas Escrituras são a revelação infalível de Sua vontade. Elas são o padrão de caráter, o teste da experiência, a autoritária reveladora de doutrinas, e o confiável registro das ações de Deus na história.”[4]

Durante sua história, o Adventismo do Sétimo Dia tem enfrentado muitos desafios acerca da compreensão que a Igreja possui sobre a maneira que Deus se revela com a humanidade.[5] A nova onda é o movimento Emergente. Sua influência traz “novos” desafios ao Adventismo e a sua compreensão sobre a doutrina da Revelação e Salvação. Ciente do perigo de algumas crenças Emergentes, algumas respostas foram produzidas por líderes Adventistas.[6] Todas essas respostas são geralizadas em sua argumentação e não endereçam especificamente o tema da Revelação e sua influência sobre a soteriologia Adventista.

O objetivo desse pequeno artigo é comparar brevemente os conceitos de Revelação e Salvação em Ellen G. White (EGW) com a Igreja Emergente (IE). Há várias razões pelas quais eu escolhi EGW como base de contraste com os Emergentes. Eu destaco primeiramente que ela é considerada uma profeta e portanto, uma voz autoritária no Adventismo; segundo, EGW está imersa no tema da Revelação por ser ela mesma uma profeta que recebeu revelações do Senhor; terceiro, ela tem uma mensagem clara sobre o assunto; e por último, ela está fora do debate hoje entre os simpatizantes e críticos da IE, podendo assim ter uma “neutralidade” sobre o assunto.

Abaixo contrasto as interpretações acerca do ensino bíblico da Revelação e dois temas relacionados, Deus e Salvação. A seleção desses dois temas não é aleatória mas lógica, visto que há uma conexão intrínseca entre Revelação, Deus e Salvação. Definindo Revelação como: comunicação de Deus com o intuito de descrevê-lO, e produzir uma resposta positiva de Sua criação, salvação é a resposta interativa humana para com a Revelação divina. E como veremos, tanto EGW e a IE fazem fortes relações entre esses três temas teológicos.

Ellen G. White Revelação

A autora EGW escreveu extensivamente. Portanto, por clareza e objetividade de argumento, nesse artigo selecionei uma porção dos escritos de EGW onde ela trata especificamente dos temas acima mencionados. Selecionei o volume 8 dos Testemunhos para as Igrejas [7], p.256-335, porque nessa porção de seus escritos achei a apresentação mais clara e extensa sobre Revelação e os perigos relacionados com falsos ensinos acerca de Deus. Esse é o ponto principal que causa tensão entre os simpatizantes e os inimigos da visão Emergente entre o Adventismo.

O Testemunho foi publicado em meados da virada do século, pelo ano 1904, “para enfrentar uma crise – a maior crise que a Igreja Adventista do Sétimo Dia já enfrentou” (p.5). A crise envolvia diferentes a compreensões acerca da divindade, Revelação e consequentemente, soteriologias moldadas no formato dessas diferentes visões sobre Deus. Portanto, ela abalou “o próprio fundamento da fé Adventista do Sétimo Dia.” (p.5)

O tema central do argumento de EGW, em sua resposta às idéias panteístas de Kellogg, é como Deus interage com a criação. Para ela, Deus é um ser pessoal (não uma energia), que administra a criação e reina sobre ela (p.263). A criação do ser humano à imagem de Deus é uma evidencia que o Criador interage com a criação em uma forma pessoal (p.263). Antes do pecado, a natureza claramente refletia a Deus, mas após, a luz do conhecimento de Deus é “deturpada” e o homem não pode mais compreender a divindade perfeitamente (p.256).

Agora, no período do pecado, Deus revela a Si mesmo novamente de forma clara através das Escrituras e, especialmente, por meio da encarnação de Seu Filho (p.257,265). É na luz da glória do conhecimento de Deus na face de Jesus Cristo que a correta compreensão do caráter de Deus é discernido. Isso porque Cristo Jesus é o único caminho de comunicação entre Deus e o homem (p,265). EGW contrasta esse interpretação da Revelação com aquela que ver a natureza como suficiente para revelar o caráter de Deus e que habilita a humanidade alcançar o Criador por si mesmo (p.267-285). “A razão deve reconhecer a autoridade acima dela mesma.” (p.285)

Ela continua afirmando que o conhecimento de Jesus Cristo na cruz, como revelado nas Escrituras, é o centro da manifestação de Deus e o único conhecimento que pode salvar o homem de seu pecado (p.287, 289). Satanás, em contraste, introduz “fábulas agradáveis” para divergir a atenção dos homens da Revelação de Deus e produzir morte na humanidade (p.290).

A teoria de que Deus é uma essência que penetra toda a natureza é um dos mais sutis artifícios de Satanás. Representa falsamente a Deus e é uma desonra para Sua grandeza e majestade. As teorias panteístas não são apoiadas pela Palavra de Deus. A luz de Sua verdade mostra que essas doutrinas são meios destruidores de vidas. As trevas são o seu elemento; a sensualidade, a sua esfera. Satisfazem o coração natural, e favorecem a inclinação. A separação de Deus é o resultado de sua aceitação.”

Ela identifica o centro do problema. Enquanto as Escrituras ensina que apenas Jesus pode salvar pecadores, o espiritualismo coloca Deus dentro do ser humano, o capacitando para alcançar sua própria salvação (p.291). E esse falso ensino assaltará a Igreja com mais ainda mais força no final do tempos por meio de uma religiosidade sensacional (emotiva) e doutrina especulativas acerca da natureza divina e da Revelação (p.294,295). A solução para resistir essas falsidades está em ler as Escrituras assim como está escrito e por meio dela obter o conhecimento de Jesus tal quão a Revelação ensina (p.299).

Emergentes e Revelação

Para descrever a compreensão da IE sobre Revelação, escolhi o livro A is for abductive: the language of the emerging church,[8] primeiramente porque seus autores são Emergentes; segundo, porque suas obras são mencionadas em repostas tanto de Adventistas como de Evangélicos; e por último, por praticidade esse livro tem o objetivo de explicar os conceitos básicos da teologia Emergente. Formatado como um dicionário, o livro é estruturado em verbetes importantes na teologia Emergente com suas respectivas explicações.

Começando com Deus, os autores O descrevem como sendo tanto transcendente como imanente, perto da natureza e ao mesmo tempo longe dela (p.286). Deus é também visto em toda a criação, que é sagrado como Deus (p.265). Essa santidade é atribuída tanto a criação como ao Criador, portanto, tudo é sagrado e deve ser considerados com respeito (p.78,79). Destruir a natureza é destruir a humanidade, pois os seres humanos fazem parte do todo. Toda a criação está relacionada (p.72,79).

Essa compreensão da criação como parte de Deus é importante para a teologia Emergente pois “a experiência do eu como parte dos outros” é o caminho para entender o divino (p.72). Não há uma Revelação fixa de Deus, como as Escrituras vista por EGW, mas a vida do ser humano é parte da vida de Deus. A verdade de Deus é conhecida na interação com a comunidade, em experiências pessoais e comunitária do divino (p.75). Assim, para compreender Deus, o ser humano precisa compreender a estória humana (p.193-195). Revelação é definida como a “constante participação do cristão na estória de Cristo e Sua igreja” (p.234).

As Escrituras não funcionam como uma Revelação fixa de Deus, mas elas servem para despertar a espiritualidade em um encontro existencial dentro da comunidade de fé (p.265,266). Para alcançar esse objetivo de forma mais eficaz o indivíduo precisa escutar múltiplas interpretações de uma mesma passagem da Bíblia vindo da comunidade de fé para que o verdadeiro significado pessoal da passagem seja compreendido. Nesse esquema, o relacionamento místico entre Deus e o homem é o caminho desejado para desenvolver a espiritualidade. Místico aqui é o oposto do conceito moderno de racionalidade (p.203,204).

A maneira ideal desse relacionamento místico (ou irracional – tendo como partida o racionalismo da era moderna) com Deus, ocorre por meio da oração. “Oração é o mais poderoso campo de força do universo...oração é outra palavra para experimentar Deus” (p.243). Logo, Deus é revelado no encontro ou experiência instigada através do exercício da oração. Isso qualquer um pode fazer como achar melhor, pois religião é tudo que possibilita o relacionamento entre Deus, ao contrário de dogmas fixos, doutrinas ou instituições (p.267,268). A solução para unificar Deus com a humanidade é o auto-conhecimento que todas as coisas fazem parte de um todo.

Conclusão

Os pontos de vista tanto de EGW e da IE, como descrito acima, possuem similaridades e dissimilaridades. Ambos concordam que Deus existe e revela-Se aos homens. Suas interpretações acerca do ‘como’ essa Revelação ocorre é outra história. Enquanto EGW ver a Revelação de Deus em dois estágios, antes do pecado (claramente em toda criação) e após o pecado (claramente somente mediante Jesus e Escrituras), os Emergentes enxergam Revelação clara no relacionamento humano com a natureza ainda hoje.

A teologia Emergente, como representada em A is for abductive, considera a criação e o Criador santos e em uma unidade inseparável. EGW, no entanto, observa uma separação entre esses dois elementos que só pode ser remediada por meio de Jesus. Essa distinção entre a criação e o Criador faz com que em geral a concepção de Revelação deles sejam bem diferentes. No primeiro caso os seres humanos podem por si mesmos obterem o conhecimento salvífico mas no último caso, apenas Jesus como Revelação suprema de Deus oferece conhecimento capaz de salvar o pecador.

A IE pode ser considerada um dos perigos que EGW aponta em suas advertências acima. Nesta maneira, a mensagem soteriológica Adventista pode ser modificada negativamente caso os conceitos de Revelação e Deus Emergentes forem aceitos. Assim, creio que a posição oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia acerca de Deus, Revelação e Salvação está em maior acordo com a explicação de EGW e em desacordo com a IE.



[1] Nisto Cremos : 27 ensinos Bíblicos dos Adventistas do Sétimo Dia. (Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia) Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. (2003) p.4. Manual da igreja : Igreja Adventista do Sétimo Dia (Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia).Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. (2007) p.9.

[2] Peter M. van Bemmelen. Revelation and inspiration.IN: DEDEREN, Raoul. (org.) Handbook of Seventh-day Adventist theology. Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association. (2000) p.22-57. Richard M. Davidson. Biblical interpretation. IN: DEDEREN, Raoul. (org.) Handbook of Seventh-day Adventist theology. Hagerstown, MD: Review and Herald Publishing Association. (2000). p.58-104. Review and Herald Publishing Association. (2002)

[3] Para um panorama histórico das divergentes opiniões no Adventismo ver: Alberto R. Timm, Divine accommodation and cultural conditioning of the inspired writings. Journal of the Adventist Theological Society, 19/1-2(2008): 161-174. Idem. Adventist views on inspiration. Perspective Digest, 13/3 (2008): 24-39. Idem. Adventist views on inspiration. Perspective Digest, 14/1 (2009):44-56 . Lael Caesar. Hermeneutics and culture. Perspective Digest, 14/3 (2009): 24-49.

[4] Nisto Cremos : 27 ensinos Bíblicos dos Adventistas do Sétimo Dia. (Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia) Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. (2003) p.4. Manual da igreja : Igreja Adventista do Sétimo Dia (Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia).Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. (2007) p.9.

[5] Alberto R. Timm, Antecedentes históricos da intrepretação bíblica Adventista. IN: George W. Reid (ed.) Compreendendo as Escrituras uma abordagem Adventista. Engenheiro Coelho, SP:Unaspress. (2007)

[6] Samuel Koranteng-Pipim. Trojan horses: the new spirituality movements. Adventists Affirm, 23/1 (2009) (pode ser acessado em http://www.adventistsaffirm.org/article.php?id=241) Ted Wilson. Go forward. Sermão dirigida a assembléia geral no encerramento da Conferência Gerald a Igreja Adventista do Sétimo Dia em Atlanta, Julho 03/2010. Fernando Canale. The emerging church: why does it mean? And why should we care?. Adventist Review. June 10, 2010. (pode ser acessado em http://www.adventistreview.org/issue.php?issue=2010-1516&page=16)

[7] WHITE, Ellen G.Testemunho para as Igrejas. Vol.8. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. (2001)

[8] HASELMAYER, Jerry. MCLAREN, Brian D. SWEET, Leonard. A is for abductive: the language of the emergent church. Grand Rapids, MI: Zondervan. (2003). Para mais informações sobre como alguns evangélicos avaliam o movimento Emergente uma boa consulta é a obra CARSON, D.A., Becoming conversant with the emerging church: understanding a movement and its implications. Grand Rapids, MI: Zondervan. (2005).

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Incontrolável, mas previsível

A gloria de Deus é autônoma. Isso significa que nós não podemos controlar suas ações. Porém, apesar dela ser incontrolável, Ela é previsível. A sua previsibilidade tem como referencia o padrão de sua movimentação na história e as referências do próprio Deus sobre Sua movimentação.

A razão de sua saída, tanto no Êxodo mosaico como no êxodo de Ezequiel, é a iniquidade dos homens.

Como vimos no texto anterior (glória condicional II) a glória de Deus é associada a Sua santidade. Ela habita o santuário, e dentro dele mais especificamente a arca da aliança. Era do lugar santíssimo, o compartimento mais interior do santuário, que a glória comunicava com Israel. Sua locação é sugestiva de seu padrão de movimento. Dentro da arca estava os 10 mandamentos ou promessas divinas. Anterior a habitação da glória na arca, ela permaneceu no monte Sinai, de onde foram proferidas os conselhos e legislações divinas à Israel.

No livro de Ezequiel, esse padrão de movimento da glória é visto com maior nitidez. O livro do profeta começa uma visão da glória de Deus em movimento (Ez.1). Ela então é vista parada em sua morada, a arca da aliança no lugar santíssimo do santuário em Jerusalém. Porém, a partir do capítulo 8 ela sai do lugar santíssimo para fora dos portões do templo terrestre construído por Salomão. A visão é aterradora ao profeta, pois a sua saída segue calamidades terríveis quase ao ponto de destruir toda a nação de Israel. Assim como Moisés, Ezequiel clama para que a glória permaneça e Deus tenha misericórdia do Seu povo (Ez.9:8).

A razão de sua saída, tanto no Êxodo mosaico como no êxodo de Ezequiel, é a iniquidade dos homens. A idolatria do bezerro de ouro no Sinai e a idolatria de Baal e Tamuz no templo expulsaram a santidade divina. Sem santidade e sem lei, a glória desaparece, pois, a glória é santa tal como a lei do Senhor. A movimentação da glória do Senhor depende da fidelidade do povo que caminha próximo a Ela. Esse tem sido o padrão na história. E as previsões celestes sobre Sua movimentação revelam ainda mais sobre essa relação entre glória e lei. Mas acerca dessa comunhão refletiremos mais tarde.

Comunicação divina de hoje: “Feliz o homem que não caminha nos conselhos dos ímpios...mas seu prazer está na lei do Senhor...O Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.” (Sal 1)

sábado, 12 de junho de 2010

Glória condicional - II

No texto anterior, refletindo sobre a glória de Deus, afirmei que o divino transforma os lugares e o tempo nos quais Ele habita. Somente mediante a Sua presença elas adquirem características santas e gloriosas. Assim, nenhuma criatura possui glória inerente ou independentemente de Deus. Tanto que sem a presença de Deus, objetos e tempos santos se tornam ordinários novamente. Surge então a questão, quais os motivos que fazem com que Deus habite em Sua glória em certo lugar ou tempo e/ou o abandone? Antes de refletir sobre tais questionamentos, gostaria de escrever um pouco mais sobre a condicionalidade da glória de acordo com as Escrituras.

Não era o povo que guiava a glória de Deus

A glória de Deus está associada ao santuário por razões lógicas. Santuário significa “lugar santo”. A glória de Deus é santa e, portanto, o lugar de Sua habitação é santo. Por isso, a maioria das referências bíblicas acerca da glória de Deus estão associadas ao santuário, seja ele do tempo ou do espaço. No livro de Êxodo, onde aparece pela primeira vez o termo “glória de Deus”, a impressão que temos é que a glória de Deus é móvel e não estática.

Por ser móvel, Ela muda. Essa mudança não significa imperfeição, mas atividade. A glória primeiramente habita uma nuvem no céu (Ex.16). Depois Ela, por algum tempo, permanece no monte Sinai (Ex.24:16,17; 33:18), mas após a construção do tabernáculo Ela passa a fazer morada entre os querubins na arca da aliança (Ex.25:8,22; 29:43).

O tabernáculo fora feito de objetos portáteis, facilmente desmontados e montados, facilitando o seu transporte no deserto rumo à terra prometida por Deus. A glória de Deus caminhava com o povo, não permanecia em um lugar, porque Ela tinha um destino final. Enquanto esse destino não chegava, a glória se movimentava de acordo com a Sua vontade.

Não era o povo que guiava a glória de Deus, mas o oposto. A nuvem da glória divina se movimenta, guiando Israel (Ex.40:36-38). O povo só andava quando a glória avançava. Por cerca de um ano eles permaneceram ao redor do Sinai porque a glória do Senhor permaneceu no monte. Mas quando a glória estava pronta para mover-se, o povo a seguia.

Seguir a glória de Deus trazia direção, segurança e vida. Quando alguns se apartaram do arraial, onde a glória do Senhor permanecia, eles acabaram morrendo (Ex.16; Num.14). Moisés, reconhecendo a importância da presença da glória do Senhor no meio de Israel, clama para que Ela não os deixe (Ex.33:14,15). Tal clamor só foi necessário porque Ela é autônoma. Deus iria deixar Israel. Sem a glória de Deus, os Israelitas estariam perdidos.

Comunicação divina de hoje: A glória é independente. Não somos nós quem a controlamos, mas Ela quem deve nos guiar. Perder o foco da glória é morte na certa.

sábado, 22 de maio de 2010

Glória condicional


O santuário de Deus é o centro de Sua glória, pois é o local de Sua habitação. Glória existe onde Deus está. Os objetos em si não possuem glória divina a não ser que estejam em contato com o Deus da glória. O arbusto no deserto se tornou santo e glorioso quando Deus habitou nele. O monte Sinai se tornou santo e glorioso quando o Senhor habitou em Seu cume. A tenda do tabernáculo se tornou santa e gloriosa quando Jesus fez morada em seu interior. Sem a presença de Deus, arbusto seria arbusto, monte seria monte, e tenda seria tenda.

Sem a glória divina, tais objetos seriam apenas mais um entre muitos

Mas ao receber a glória divina, tais objetos comuns se tornaram extraordinários. Sem a glória divina, tais objetos seriam apenas mais um entre muitos, esquecido em meio à multidão. Porém, a glória de Deus torna o ordinário em excepcional. O qualquer se torna único. A vegetação no deserto do Horebe morreria desconhecida como qualquer outro arbusto do deserto. O que a fez notória não foi sua origem ou natureza, mas a habitação da glória de Deus.

O arbusto, que tem sua origem com o pecado (arbustos são plantas espinhosas - ver Gn.3:18), é usado pelo Senhor para falar com Moisés. Ainda hoje se faz menção da sarça ardente. O qualitativo ardente define a sarça. A glória de Deus define a existência do santuário. O lugar é santo porque o Santo Rei da Glória habita em seu meio. A Bíblia é santa e gloriosa porque Deus fala por seu meio. A igreja é santa e gloriosa porque Deus está em seu meio. O homem é santo e glorioso quando o Espírito do Senhor habita em seu meio.

Sem Deus, sem a glória do Senhor, nenhum desses seres seriam santos ou gloriosos. A Bíblia seria apenas um livro qualquer; a igreja, uma comunidade qualquer; o homem, um animal qualquer. Assim sendo, será que a glória de Deus pode se retirar de sua locação? Se sim, quais os motivos que fazem com que Deus habite em Sua glória em certo lugar e/ou abandone tal espaço? Respostas a tais questionamentos são importantíssimas e requerem cuidadosa atenção. As implicações serão buscadas em futuros textos do comunicação divina.

sábado, 8 de maio de 2010

Lembra-te do santuário


Lembrar do santuário de Deus é o antídoto contra os enganos satânicos, foi a comunicação divina anterior. Mas como lembrar do santuário de Deus? E por que lembrar do santuário de Deus? Ao responder a última questão teremos uma idéia de como responder a segunda. Hoje refiro-me a última para depois refletir sobre a primeira.

Os que buscam o santuário de Deus e ao Deus do santuário são vitoriosos...

As Escrituras Sagradas (Bíblia) em sua narrativa histórica ensina que a rejeição do santuário e do Seu Deus causou destruição e morte. Quando Salomão deixou o templo de Deus para adorar os ídolos nos altos ele se tornou um rei insuportável e autoritário. O resultado foi uma revolta social e a divisão do reino de Israel. Os livros de Crônicas e Reis repete a saga dos reis de Judá e Israel após a divisão. Os que aderem ao santuário de Deus e ao Deus do santuário são vitoriosos, porém os que abandonaram a Deus e buscam os ídolos são derrotados.

Os profetas, principalmente Ezequiel e Jeremias, revelam que a rejeição do templo de Deus fez com que o povo esquecesse da lei do Senhor e do Senhor da lei. O amor ao próximo, a fidelidade, a misericórdia, o perdão, a compreensão, a justiça, a pureza foram abandonadas. Em lugar de tais práticas, a satisfação própria, o prazer incontrolável, a manipulação, o engano, a infidelidade, a injustiça, a violência, a opressão e muito mais tomou conta da sociedade ao redor do templo.

Tudo isso porque a glória de Deus foi rejeitada no Seu santuário. A casa de Deus nos ensina que a lei de Deus é perfeita e restaura a alma. Ela revela também que todo ser humano é pecador e defeituoso necessitando de purificação e perdão. Através dos sacrifícios e do sacerdote, Deus ensina que Ele oferece a salvação aos homens. O preço do pecado é a morte do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Cristo é o sumo-sacerdote que oferece Seu sangue perante o Pai e clama por nossa aceitação todos os dias.

...porém os que abandonam a Deus e buscam aos ídolos são derrotados

O santuário nos convida a deixar nossos desejos e vontades más sobre o altar e sair renovado. É por meio do ritual do juízo e a purificação do santuário que aprendemos que aquele que confessa seu pecado será perdoado. E Deus há de fazer justiça aos que continuam em sua iniqüidade. Foi quando Asafe assistiu aos ritos da expiação que ele entendeu o fim do mundo e a aparente prosperidade dos ímpios. Pois o templo de Deus deixa claro o passado, o presente e o futuro. Sem compreender suas mensagens os homens andam incertos e inseguros.

Por isso que Satanás sempre usou de seus mais meticulosos enganos para afastar o homem do santuário. Pois ao desviar as mentes dos homens do templo de Deus, todos os princípios de prosperidade serão esquecidos. Sem o santuário esquecemos nossa origem, nossa presente situação e nosso futuro glorioso. O mundo que esqueceu o templo de Deus sugere que nossos progenitores foram amebas, e que nosso futuro é a morte. Mas o santuário nos lembra que somos feitos à imagem de Deus e precisamos retornar a refletir Sua glória.

Comunicação divina de hoje: Lembrar do santuário nos mostra a verdadeira compreensão da realidade

quinta-feira, 6 de maio de 2010

o santuário esquecido...

Por causa da idolatria de Salomão e Israel, a glória do Senhor abandona o templo. No Grande Conflito, parecia que Satanás estava para vencer. Na época de Elias, Satanás reinava supremo, enquanto o altar do Senhor se encontrava em ruínas. Por meio de Baal, Astarote, Jezabel e Acabe, o inimigo de Deus fez prosperar o engano, a violência, a injustiça.

a iniquidade chegou a um ponto insuportável por rejeitarem os conselhos do Senhor,

Deus prometera a vinda do Messias salvador por meio dos filhos de Abraão, mais especificamente pela linhagem de Davi e Salomão. E Satanás desejava aniquilar a promessa divina. Atalia, filha de Jezabel, tenta assassinar a Joás, descendente de Salomão. O pecado tenta destruir a salvação. Porém, Joás é salvo no santúario, escondido no templo pelos sacerdotes que temiam ao Senhor. Mas nem todos adoravam ao Criador no santuário. A maioria preferia os altares dos deuses pagãos nos montes espalhados por toda a Palestina.

Apesar de Deus enviar vez após vez profetas a fim de alertar o mundo de sua situação, assim como na época de Noé, os homens preferiram as trevas à luz. Por sua escolha, o príncipe das trevas dominava. Nos dias de Isaías a iniquidade chegou a um ponto insuportável. Por rejeitarem os conselhos do Senhor, Israel é destruído pelos Assírios no ano 722 a.C. e o reino de Judá caminhava para o mesmo caminho. Porém a glória do Senhor aparece novamente. E onde ela surge?

No tempo de Isaías o Senhor se revelou no santuário. Como nos dias de Salomão, quando a glória do Senhor enchera o templo e de lá toda a prosperidade fluiu às nações. É pelo santuário de Deus que as bençãos nos alcançam. O santuário é o centro das atividades divinas.Quando ele é perdido de vista Deus é esquecido e o pecado reina com todo o seu sofrimento. Creio que muitos dos sofrimentos de hoje são resultados do esquecimento do santuário e de sua mensagem. O Alzheimer satânico gera consequências nefastas.

A comunicação divina de hoje - Lembrar do santuário de Deus é o antídoto contra os enganos satânicos.

Plano abortado...em partes...

Refletimos a glória de quem adoramos. Israel, contemplando aos ídolos e a prosperidade das nações pagãs, se tornou como eles. O poder das nações pagãs pareciam mostrar empiricamente que os deuses deles realmente funcionavam. A riqueza material e o prazer sensual dos cultos idólatras chamaram a atenção dos Israelitas que buscavam prazer imediato sem considerar o futuro.

O plano de Deus, no entanto, era uma história duradoura, um domínio de influência. Por meio dos descendentes de Abraão, o Criador desejava abençoar todas as famílias da terra. Deus prometeu a Moisés que Israel não sofreria mal enquanto estivesse confiando nEle. O que eles deveriam manter em mente era o grande conflito entre Deus e Satanás, entre o pecado e a vida. Os Israelitas deveriam ser os representantes do Criador à humanidade caída.

O plano divino foi experimentado em partes no reino de Salomão. Com sabedoria dos céus e a edificação do santuário, o Senhor abençoa aos israelitas. A glória do Senhor enche o templo e paz reina sobre Israel. O reino cresce em território, riqueza e paz, de tal forma que reis vieram de longe para saber a razão de tal proeza. Ao aprenderem de Salomão e do santuário sobre o Deus dos céus, eles voltavam a suas terras, exaltando o Criador.

Porém, Satanás entra em cena apelando aos prazeres pecaminosos de Salomão. Milhares de mulheres o levaram a praticar idolatria, adultério, e até sacrifício humano. O sábio se torna louco e a glória de Deus é transformada em mentira. Por causa da infidelidade humana, Deus tem que esperar mais um pouco para fazer com que a terra reine em paz. Os filhos de Salomão e os Israelitas arcam com as consequências da desobediência. O reino se divide em dois, e a violência toma conta do planeta novamente.

A comunicação divina de hoje - Posso adiar os planos de Deus por minha infidelidade, e isso afetará a vida de milhares.