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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Atacando o santuário e os santos - parte 2


À luz do ataque satânico ao santuário e aos santos na história da Igreja Romana, note quão relevante é Lev 19 nesse contexto profético. Em textos anteriores eu esbocei esse capítulo sobre santidade da seguinte forma:

  1)     Não adorar ídolos (v.4)
  2)     Em negócios pessoais nunca maltratar (v.9-10)
  3)     Não maltratar os oprimidos e estrangeiros, mas ajudá-los (v.9-10, 13-14, 33, 34)
  4)     Falar sempre a verdade e praticar a justiça (v.11, 15-16)
  5)     Comer aquilo que é adequado à saúde (v.23-26)
  6)     Manter pureza sexual e mental (v.17,29)
  7)     Não se envolver com espiritismo ou fazer contato com os mortos (v.26, 28, 31). 
  8)     Guardar o sábado e reverenciar o santuário (v.30)

Visto que o ataque de Satanás é na santidade (santos, lei, Deus e santuário), tal texto de Levíticos é importante ser considerado à luz da história do papado. Vejamos um por um. Com a reinterpretação bíblica ao olhar da filosofia grega, o Catolicismo aprovou a adoração de mortos (#1,#7). Por meio da noção errada do corpo humano, ela abriu as portas à promiscuidade sexual e à alimentação imprópria (#5,#6). Ao unir-se ao estado, a Igreja tornou-se um negócio que perseguia os que atrapalhavam seus interesses (#2, #3). Com a elevação do papa como único representante de Deus na terra, ela propagou mentiras sem fim (principalmente com o documento forjado da doação de Constatino – futuramente no blog), cometendo as maiores injustiças que o mundo já viu (#4). Em seu período de dominação, a Igreja Romana foi contra os judeus e eliminou o sábado, trocando-o pelo domingo como dia santo de adoração (#8).

Note que tais transgressões não são pequenas, mas formadoras do cristianismo vigente. Tenha como exemplo o conceito da imortalidade da alma ligado à alimentação e espiritismo, assim como a guarda do domingo como santo. A maioria dos cristãos acha que é correto e bíblico a guarda do domingo, a crença no evolucionismo teísta, a comunicação com os “mortos-vivos”, manter relações sexuais fora do casamento é normal, e que a alimentação não influencia no relacionamento com Deus (consomem carne, álcool, fumo, muita gordura e sangue).

Nesses “detalhes” Satanás mina a relação de Deus com o homem, e por meio do engano remove milhares de pessoas da salvação oferecida por Cristo. É por isso que estudar profecias é tão importante. Ao identificar os poderes por trás das grandes estruturas socio-religiosas no grande conflito podemos tomar decisões sábias e informadas pelas Escrituras. Somente assim poderemos resistir à Babilônia, restaurar a verdade jogada por terra e nos unir aos santos que serão libertos por Cristo quando Ele retornar.

O grande exemplo é o sábado. A restauração da santificação do sétimo dia faz com que construamos uma antropologia e ontologia bíblica. A referência à criação do Gênesis elimina o evolucionismo, a guarda do domingo, a imortalidade da alma, a impureza sexual, e a salvação pela graça por meio da obediência a Cristo. É por isso que Deus levantou um movimento nos últimos dias, que nos lembra do sábado como veículo de restaurar verdades outrora apagadas pelo chifre satânico.

Muitos outros aspectos da verdade foram deturpados pelo chifre satânico, mas sobre eles escreveremos mais tarde. No próximo post voltarei às questões textuais sobre a interpretação do livro de Daniel.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Atacando o santuário e os santos


No texto anterior descrevi como ideologicamente Satanás minou o conceito de realidade descrita pela Bíblia. Assim, o que Deus havia revelado era um mito a ser reinterpretado à luz do dualismo Platônico, onde o mundo natural é irreal e a realidade divina é imutável. A criação não foi progressiva em 7 dias literais, mas em um grande momento onde as ideias divinas se materializaram num instante. Os seres humanos são compostos por uma essência imortal divina coberta por um corpo mutável físico. Nesse texto esboço como na prática isso modificou o Cristianismo verdadeiro. Como é um esboço, explico tais enganos em generalizações e em linha história resumida.

Visto que o físico é ruim, e o não material, bom, nesse esquema ontológico, o relacionamento sexual descrito na Bíblia como positivo e divino é descrito como um mal necessário. Mal porque sexo é carnal e o corpo/material é ruim e mutável/mortal. Necessário porque as almas (ou partículas divinas) colocadas em Adão devem ser liberadas por meio da tal relação (do sperma - semente). Essa antropologia cria uma superioridade entre o homem e a mulher, e entre o celibatário e o casado. Tais ensinos são extremamente nocivos e não bíblicos.

Apesar da Igreja Romana ensinar tais conceitos, seus próprios líderes não praticavam. Durante a Idade Média vários cleros casaram. Os que obedeciam à Igreja na aparência tinham concubinas e filhos bastardos. Em Roma a imoralidade era tamanha que, por volta do ano 1200, a cidade de Roma era conhecida como o maior prostíbulo do mundo. Tal deturpação antropológica minou a pureza sexual e o núcleo familiar instituído por Deus para proteger a humanidade. Ainda hoje sofremos as consequências de tais enganos Satânicos. Não é à toa que Deus descreve a igreja Romana ao profeta João como uma prostituta e mãe de meretrizes. (Apoc 17 e 18)

Assim como a imoralidade sexual é associada à idolatria no Antigo Testamento, também no “cristianismo papal”. Visto que a alma é imortal e o físico, pecaminoso, a mortificação do corpo era algo necessário à salvação. Como o culto a Baal descrito no Carmelo, a penitência foi glorificada como meio de salvação. Os que morriam pela fé em Cristo e mortificavams seus corpos eram considerados semi-divinos. Daí criaram-se os santos, que servem como ídolos intercessores, usando seus méritos para ajudar na salvação de almas ainda não liberadas desse corpo mal.

Desta forma Satanás ataca eficazmente o santuário e os santos. Destrói o santuário de duas maneiras. A primeira, de acordo com a Bíblia, o nosso corpo é o templo do Espírito Santo e feito para pureza (I Cor 3:16,17; 6:19,20). Ao ensinar que o importante é o imaterial e que o casamento é um mal necessário, o Catolicismo abre portas à imoralidade, e à promiscuidade fora do relacionamento conjugal. Segunda, ao promover a mortificação do corpo e mérito de esforços humanos no culto aos santos, o sistema de salvação real no santuário celestial é negado. Ao invés de Jesus como nosso único intercessor e Salvador, temos Maria e sua hoste de Santos imortais. A veneração dos mortos é gigante nesse esquema religioso. Prática tal que é abominável aos olhos do Senhor da Bíblia (Deut?? Is ??) – continuação no próximo texto...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A importância da interpretação profética - parte 2



No texto anterior refletimos sobre o papel da profecia apocalíptica no grande conflito. Identificar o chifre (os agentes humanos usados por Satanás) é uma questão de identidade e salvação. Na visão de Daniel esse inimigo divino atacaria os tempos, as leis e a verdade. Ou seja, ele mudaria o conceito de realidade a fim de enganar o mundo. Como Roma foi usada por Satanás para ”modificar” a realidade?

Por meio de Roma (pagã e papal), Satanás populariza o dualismo ontológico grego-platônico que reinterpreta a realidade descrita na Bíblia. Ele joga a verdade e o santuário por terra. Tendo como premissa que mudança é ruim e que Deus existe, os Platônicos formularam sua descrição da realidade. De acordo com essa interpretação da realidade (cosmovisão) existem duas esferas de existência, uma divina e a outra humana, não conectadas objetivamente. O mundo divino é atemporal (sem mudança ou movimento). Em contrapartida, o mundo terrestre é temporal, ou seja, que muda, tornando-o aparente e irreal em si, visto que ele é uma reflexão do mundo divino.

Essa divisão do temporal com o atemporal afeta todos os aspectos da realidade formada por espaço e tempo. Misturando os conceitos Platônicos com a descrição ontológica da Bíblia, os pais da Igreja (cristãos do século I-V) formularam uma cosmologia bem distinta, reinterpretando as categorias bíblicas à luz de uma cosmologia pagã (satânica). O cristianismo resultante, que formou o que conhecemos como Ocidente, é um paganismo com nomenclatura cristã.

Note, nesse esquema dualista Deus não pode criar pois criação requer movimento e mudança, o que é ruim, pecaminoso. Tomás de Aquino, patrono da teologia Católica, ao tentar resolver esse problema explica que em Deus todos existimos. À luz de Platão a cosmologia Católica (Aquina) afirma que os seres humanos são almas eternas “geradas” desde a eternidade em Deus e colocadas em Adão. Aqui o chifre satânico ataca a verdade divina na raíz. Agora o homem é imortal como Deus, e é parte de Deus. Isso redefine pecado, salvação e santuário.

Ao aceitar a ideia de que Deus não se relaciona com o tempo e espaço em mudança, toda Escritura é reinterpretada. Vejamos o que considero as principais. Visto que principalmente no Antigo Testamento Deus cria, age, toca, e sente, a teologia Católica alegoriza tais conceitos. O Antigo Testamento, ou o livro Israelita, é rejeitado como revelação divina da realidade. Suas leis, histórias e conceitos não podem ser lidos de forma concreta pois são descritos numa linguagem demasiadamente carnal.

Essa ideia de que Deus não se relaciona com o tempo é a semente para a rejeição do Sábado, da criação literal em 7 dias, da doutrina da expiação do Santuário celestial, das profecias de tempo sobre o Messias, da mortalidade condicional da alma, da pureza sexual e da correta adoração a Deus (sobre esses detalhes na história refletiremos no próximo texto). Os profetas Daniel e João, em suas visões acerca do chifre satânico, uniram todos esses elementos no grande conflito apresentado a eles.

sábado, 13 de outubro de 2012

A importância da interpretação profética correta - parte 1


Que diferença faz na vida do cristão hoje se o chifre é Antíoco ou Roma ou outra entidade? Identificar corretamente quem ataca o santuário de Deus e Seu povo é importante pois a profecia alerta para um poder que deturparia a verdade e a salvação oferecida por Deus. De acordo com o livro de Daniel esse poder mudaria os tempos e as leis divinas (7:25) e jogaria a verdade por terra (8:12). Esse ataque incluiria principalmente Deus, Sua morada (santuário) e Seus adoradores (santos) (8:10-12).

Vamos por partes então. O ataque aos santos implica questão de identidade. Na Bíblia Deus é santo e tudo aquilo que entra em contato transformador positivo com Deus (ver Ex 3, Levíticos, Is 6). Ser santo é estar perto de Deus, e ser transformado por Sua glória. De acordo com Levíticos 19, o Santo de Israel convida Seu povo para ser santo porque Ele é santo (v.3). Santidade é agir como Deus. Nesse capítulo Deus explicita como isso é demonstrado:

1)     Não adorando ídolos (v.4)
2)     Em negócios pessoais nunca maltratar (v.9-10)
3)     Não maltrata os oprimidos e estrangeiros mas ajudá-los (v.9-10, 13-14, 33, 34)
4)     Falando sempre a verdade e praticando a justiça (v.11, 15-16)
5)     Comendo aquilo que é adequado para saúde (v.23-26)
6)     Manter pureza sexual e mental (v.17,29) 
7)     Não se envolver com espiritismo ou contato com os mortos (v.26, 28, 31).
8)     Guardar o sábado e reverenciar o santuário (v.30)

Nessa lista vemos que ser como Deus implica em ações bem positivas. Assim como Deus livrou Israel quando cativo e oprimido no Egito, os Israelitas como santos do Senhor deveriam libertar outros seres humanos em situações semelhantes. Assim como Deus deu abundância em bens para Israel eles deveriam compartilhar com outros menos afortunados. Ser como Deus é algo muito bom.

Enquanto isso nas profecias o inimigo de Deus surge apenas para destruir, enganar e maltratar os seres humanos. O contraste é nítido. Deus deseja vida com qualidade enquanto Satanás deseja destruir os santos criados por Deus. Identificar então quem é esse inimigo divino é fundamental pois escolhemos um estilo de vida ao seguirmos um ou outro. O ataque aos santos também implica que aqueles que escolhem viver em santidade ou guardarem as leis de Deus serão perseguidos (Apoc 12:17). Prosperidade nessa terra não significa santidade. Ou seja, Deus anuncia previamente na profecia que viria um poder que tentaria destruir a vida daqueles a quem Ele procura salvar. E isso nos leva ao segundo ponto, o ataque ao santuário.

É no santuário e no sistema de sacrifício instituído por Deus que aprendemos que Ele se sacrificou pela humanidade pecadora que merecia morrer, ao tomar sobre Si a iniquidade minha e sua (Lev 1-6, Isa 53, Jo 1:29, Heb 5-8). Ao atacar o santuário de Deus o chifre usado por Satanás tenta destruir o caráter de amor de Deus e a salvação da humanidade em Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Entender a Jesus é vida eterna (Jo 17:3) assim ao deturpar o caráter de Deus demonstrado no santuário Satanás tenta remover minha única oportunidade de salvação do pecado e da morte.

Identificar o chifre da profecia então é uma questão não só de identidade (identificar quem é santo) mas de vida ou morte (quem está no santuário). Satanás tem deturpado o caráter de Deus de várias formas. Mas as maiores delas estão relacionado com Sua lei. Não é surpresa que Deus anuncia que o chifre atacaria a Lei divina e a verdade.

Vemos acima que a Lei ensina que obedecer a Deus é viver em santidade o que implica justiça e verdade. Aqueles que pecam ou agem sem amor trazem para si o mal e são punidos com a morte (Rom 6:23). Sabendo disso Satanás por meio do chifre da profecia tem engando a muitos causando sérias injustiças na história. Sobre essas injustiças e específicos ataques iremos refletir no próximos texto.

O que concluímos aqui é que identificar o chifre da profecia é uma questão bem pessoal e caso de vida e morte. Saber quem é o inimigo dos santos permite ao estudante da profecia se auto identificar como Deus ou como o diabo. Assim entender corretamente a profecia é uma questão de identidade. Sabendo das detrupações Satânicas Deus anuncia a Daniel pois avista o perigo antes dele ocorrer. A importância do estudo profetico é previnir o mal e se esconder em Deus.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

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sábado, 15 de setembro de 2012

quem é o chifre pequeno? - parte 2


O blog anterior resumiu a questão interpretativa de como indentificar o chifre pequeno em Dan 8. O debate maior é linguístico e relacionado a origem do chifre no v.9. Como já vimos, Dan 8:9 apenas diz “de um deles”. Mas a que esse pronome “deles” se refere? Há diversas sugestões. Os teólogos Adventistas Gehard Hasel e William Shea argumentam que como esse pronome (Heb.-hem = deles) é masculino ele se refere a um antecedente masculino, que no v.8 seria os “ventos do céus” (Heb.-ruohot [feminino] hashamaim [masculino]), e não aos chifres (Heb.-qeren [feminino]).

Outros Adventistas historicistas argúem que o pronome (Heb.-hem = deles) pode ser usado tanto no masculino como no feminino. Martin Proebstle, por exemplo, argumenta que a construção substantiva construto-absoluto “ventos dos céus” do v.8 é liderada pelo substantivo feminino e deve ser considerada feminina, caindo em dissonância com o argumento do gênero masculino de Hasel e Shea. Outro argumento apresentado por Hasel é que na segunda parte do v.8, a palavra “chifres” (qeren) não aparece no hebraico (“em seu lugar saíram quatro notáveis”), sugerindo que o pronome do v.9 se refere ao objeto explicitado anteriormente, os ventos.

Proebstle rejeita essa ideia dizendo que os chifres estão implícitos no texto e por isso o intérprete não deveria fazer muito caso sobre essa ausência. No entanto, Hasel afirma que essa ausência é uma forte indicação para entender a descrição seguinte (v.9) e identificar a procedência do chifre que atacaria os céus. Apesar de Proebstle argumentar que a sintaxe desses versos pode ser explicada de outra forma, os argumentos de Shea e Hasel, para mim, continuam válidos.

Isso porque eles afirmam que há um par no final do v.8 que pode ser considerado como feminino-masculino (ventos dos céus), e no início do v.9 há a mesma sequência de gênero feminino-masculino (“de um deles” – Heb.- ha’ahat mehen). Para mim, o argumento mais convincente é ainda o do antecedente mais próximo. Isso ocorre até em português. O pronome normalmente se refere ao objeto (substantivo) mais próximo dele. Nesse caso, em Dan 8:8, o mais próximo antecedente é “ventos dos céus”.

Se assim for interpretado, o poder do v.9 não é um dos 4 chifres do v.8 (O Livro), nem se origina dos quatro poderes/chifres gregos (ARA). A interpretação preterista que o  identifica como Antíoco IV Epifânio então não se coaduna com o texto e nem com a história. O historicismo, porém, ao enxergar o império Romano vindo de um dos ventos, faz sentido ao texto e é coerente com as visões paralelas no livro de Daniel. O chifre vem do ocidente (Roma estava a oeste de Jerusalém e Babilônia) e se expande “para o sul [Egito], para o oriente [Iraque; Irã], e para a terra gloriosa [Israel]”(v.9). Antíoco não avançou para essas regiões descritas na visão, e nem veio do oeste.

E tem mais, como chifres em Daniel simbolizam reis e/ou reinos (7:24, 8:21-23), a interpretação preterista aplicada a Antíoco não faz sentido visto que Antíoco não foi o 5º rei de sua dinastia, nem o 11º se for argumentado a partir dos 10 chifres de Dan 7 que aparecem antes do chifre pequeno. Apenas o Império Romano se encaixa nessas características. Por que é tão importante identificar quem é o chifre que começa pequeno e ataca a Deus?  Isso refletiremos no próximo texto.

sábado, 8 de setembro de 2012

quem é o chifre pequeno - parte 1


      5)     O cifre “pequeno” origina de um dos 4 chifres ou de um dos 4 ventos? E qual a diferença?(Dan 8:8-9)

Já vimos brevemente que existem interpretações diferentes sobre profecias apocalípticas. Em particular, essa questão em Daniel 8 traz à tona a diferença entre preterismo e historicismo. Enquanto o historicismo interpreta o quarto reino de Dan 7 como o Império Romano em suas duas fases (pagã e papal), o preterismo vê o poder representado pelo chifre que começa pequeno e persegue o povo de Deus como Antíoco IV Epifânio. Um dos maiores argumentos para tal diferença é Dan 8:8,9 sobre a origem do chifre pequeno.

É importante salientar aqui que até as traduções revelam tendências interpretativas sobre a profecia de Daniel. A de João Ferreira de Almeida Revista Atualizada (ARA) traduz o verso 9 da seguinte forma: “de um dos chifres saiu o chifre pequeno”. A João Ferreira de Almeida Atualizada e a Nova Versão Internacional diferentemente traduzem: “de um deles saiu um chifre pequeno”. Outra tradução, O Livro, já diz: “um destes chifres, crescendo devagar a princípio...”

Note que as traduções O Livro e a ARA são interpretações do texto hebraico, pois o v.9 diz apenas “de um deles”, o que as traduções Atualizada (AA) e a NVI mantêm. Mesmo assim, mantendo uma tradução mais literalística do texto hebraico, a questão continua. O que significa “de um deles”? De onde vem o chifre que ataca o céu, Deus e o santuário? Determinar tal poder é importante visto que suas atividades afetam o povo de Deus. Então qual interpretação possui mais evidências textuais e históricas?

Antes de avaliarmos as diferenças interpretativas destaco que tanto o historicismo como o preterismo interpretam Dan 8 num contínuo histórico. Isso porque o próprio anjo na segunda parte do capítulo assim interpreta. O carneiro representa a Média e os Persas (v.20), o bode a Grécia, o chifre notável o seu primeiro rei e os próximos 4 chifre como quatro reinos subsequentes. Então não há dúvidas historicamente que os gregos vieram após os Medo-Persas com um grande rei, Alexandre o Grande, e logo após sua morte o seu império foi dividido entre quatro generais que fundaram quatro sub-impérios (Cassandro, Lisímaco, Ptolomeu e Seleucida).

A diferença entre o preterismo e o historicismo é a relação entre Dan 8:8,9 com o chifre que sai do quarto animal em Dan 7. Como há uma forte relação entre ambas as visões elas devem ser consideradas juntas. Em Dan 7 também há uma descrição de impérios “mundiais” representados por animais/bestas. Eles são visto em sequência representando linearidade histórica. Tanto o leopardo em Dan 7 e o carneiro em Dan 8 possuem quatro protuberâncias (cabeças/asas e chifres). Em seguida, nos dois capítulos, aparece um chifre que cresce para atacar o povo de Deus até o tempo do juízo.

Continuando o paralelismo, nos dois capítulos os poderes crescem em força até atingir a Deus. Grécia foi mais forte que os Medo-Persas, e Roma mais forte que a Grécia. Há uma progressão de poder assim também como uma separação/distinção de reinos. Quando os preteristas identificam o último chifre como Antíoco IV eles não são fiéis à descrição das visões nem a história. Antíoco não possuiu um reino distinto dos gregos (Alexandre o Grande) nem foi maior que o seu fundador. Mas o império Romano foi.

Sobre a distinção de poder, as duas visões possuem uma sequência que sugere essa distinção de poder: “eu vi” + descrição do símbolo + direção + poder. Em Dan 8 essa sequencia distingue o carneiro do bode e em Dan 7 os quatro poderes da Babilônia (leão), Medo-Pérsia (urso), Grécia (leopardo) e Roma (besta espantosa). Porém não há nenhuma visão em Dan 8 para descrever o chifre pequeno no v.9. (Isso foi identificado por Martin Proebstle em sua tese de PhD em Antigo Testamento na Andrews University – Truth and terror). Estaria então os preteristas corretos ao identificarem o v.9 como uma continuação do poder anterior? (continua no próximo post)