Assim que ele vê a Deus ele sente dor.
Vejo que Deus não é cego aos sofrimentos humanos, eu que sou cego quanto ao amor divino. E reconhecer isso dói.
Na pós-modernidade, Deus está muito ativo, ao contrário do que Nietzsche afirmou. Na era da comunicação digital, Deus interage de diversas maneiras com homens e mulheres, como eu e você. Assim como no passado, "Deus havendo falado muitas vezes e de diversas maneiras", hoje Ele continua a falar. Pois Deus gosta de comunicação. É sobre essa simbiose entre comunicação e Deus que eu gosto de falar.
Assim que ele vê a Deus ele sente dor.
Vejo que Deus não é cego aos sofrimentos humanos, eu que sou cego quanto ao amor divino. E reconhecer isso dói.
O fato é que todos morreremos cedo ou tarde pela causa que julgamos valer a pena.


As pessoas correm e gritam desesperados sem saber o que fazer. Em meio a poeira e a destruição outro corpo inerte está intacto. Mas esse corpo não é de carne e sangue. Em meio ao terremoto a cruz de Cristo continua em pé. Alguns que andam sem rumo olham para o corpo que parece inabalado com a situação.
Em meio ao terremoto, a cruz de Cristo continua em pé.
Ao olharem o crucifixo eles caem prostrados em frente ao Jesus levantado entre os céus e a terra. Os gritos de aflição clamam para que o Deus de porcelana saia do madeiro e se compadeça dos aflitos. Mas será que o Deus da cruz pode ajudar? Será que Ele escuta os gritos dos aflitos? O profeta Isaías ao contemplar a aflição dos homens afirma, “Em toda suas aflições, Ele foi aflingido.” (Is.63:9)
O crucifixo nos lembra da preocupação de Deus para a humanidade sofrida. Enviando o Seu Filho para morrer e sofrer, Deus mostra que Ele sofre junto com a humanidade. Assim como as imagens nos mostra, o terremoto não conseguiu abalar a cruz de Cristo. Ela continua em pé, bem alto para todos verem e buscarem ajuda. Firme como nunca antes os símbolos nos lembram que é no momento de maior aflição que Deus se manifesta mais poderosamente.
A cruz intacta no terremoto é um lembrete inequívoco que Cristo está em pé. Ele agiu no passado e continua a agir. Em meio a todo esse sofrimento, Jesus continua a amar Seus filhos.
Ao contrário da imagem no Haiti, o Jesus da cruz não é de porcelana. Ele está bem ativo e vivo.
Através das Cruz Vermelha, da Adra e de muitos cristãos ou não cristãos, Jesus se manifesta e atende os clamores dos aflitos. E você, tem ajudado aos aflitos ao redor de sua casa? Ou como aquele ser de porcelana continua inerte em meio a todo o sofrimento ao seu redor? As nossas ações manifestam que tipo de Deus adoramos.
A cruz de porcelana nos comunica que “naquilo que Ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados...porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemos-nos pois confiadamente ao trono de graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça em ocasião oportuna.” (Hebreus 2:18;4:15,16 – ARA). E que melhor ocasião para buscarmos a Deus que nos momentos de aflição!
O terremoto de 12 de janeiro não abalou somente a capital da ilha Hispaniola, mas a fé de muitos num Ser superior. Calculado em mais de 7 pontos na escala Hichter e com uma estimativa de 200 mil mortos, o abalo sísmico no Caribe foi sentido bem longe e afetou a vida de milhões de pessoas no mundo inteiro.
Pois com uma catástrofe como essa a fé de muitos se abala. Indagamos sobre a autenticidade da pregação cristã e o caráter de Deus. Como pode Deus permitir tantas pessoas morrerem se Ele poderia evitar? É Deus todo-poderoso? Ele é bom? Perguntas como essas já foram feitas por muitos na história. Até pelo próprio Filho de Deus.
No período de maior angústia, Jesus clamou na cruz: Deus meu, por que me desamparaste? Eu também fiz a mesma pergunta após algumas tragédias que aconteceram nas últimas semanas comigo, meus familiares e amigos do Haiti.
Volto ao comunicação divina com essa reflexão. E convido você a refletir comigo também. Queria desejar um feliz 2010 a todos. Mas acho melhor desejar um 2010 de bastante reflexão. Pois é a melhor coisa a fazer nesse momento.